Author: Wilson Porte Jr.
•4:35 PM

(A propósito de seus 500 anos)

O mundo ocidental vive atualmente em meio a um grande avanço científico. Não é necessário muito esforço para percebermos o quanto estamos ligados e somos influenciados pelo avanço nas áreas da física, da química, da biologia, da botânica, dentre outras.

As origens do moderno avanço das ciências naturais são um tanto complexas e controversas. Há, atualmente, teorias que se esforçam para apresentar um único fator que controla todo esse desenvolvimento científico. Todavia, tais teorias são tomadas pela grande maioria dos historiadores como ambiciosas e inconvincentes.

Está claro que muitos são os fatores que contribuíram para o avanço das ciências modernas, Dentre eles está o fator religioso que, inquestionavelmente, esteve envolvido. E é dentro desse fator que João Calvino se destaca tanto encorajando o estudo científico da natureza quanto removendo obstáculos ‘religiosos’ que impediam o avanço das ciências naturais.

Sem dúvida, muitas são as origens do moderno avanço científico. Mas, indubitavelmente, João Calvino (1509-1564) está entre as principais de tais causas. Alister McGrath diz que as origens das modernas ciências naturais são complexas e controversas. Tentar argumentar que sua origem reside um apenas um fator ou pessoa é exagero e desonesto com a história.
É por isso que nosso foco nesta monografia é analisar a estreita e intrínseca relação entre João Calvino e o desenvolvimento das ciências modernas.

CALVINO E O ENCORAJAMENTO AO ESTUDO CIENTÍFICO DA NATUREZA

UM ERRO HISTÓRICO DOS HISTORIADORES.

Como já dissemos, João Calvino foi um dos grandes fatores que ajudaram no desenvolvimento das ciências naturais. Além de remover grande parte dos obstáculos que impediam tal progresso, Calvino e seus seguidores foram grandes encorajadores do estudo científico sobre a natureza.
A imagem que hoje se tem de João Calvino infelizmente não corresponde aos fatos. A imagem de um homem que não dava margem a nada que não fosse intolerância e biblicismo tem sido passada de maneira pouco cuidadosa.
O professor R. Hooykaas, em sua obra A religião e o desenvolvimento da ciência moderna, diz que o preconceito cegou os historiógrafos[1]. É comumente aceito entre eruditos historiadores, como o professor R. Hooykaas da Universidade de Utrecht e Alister McGrath da Universidade de Oxford, que o polêmico livro de Andrew Dickson White, A history of the warfare of science with theology in christendom (Londres, 1896) é responsável por boa parte da controvérsia atual.
McGrath, no prefácio de seu livro A life of John Calvin, diz que “nos últimos cem anos, a atitude de Calvino acerca da teoria heliocêntrica do sistema solar de Copérnico[2] tem sido objeto de ridículo”[3]. Andrew Dickson White, citado acima, escreveu:
Calvino assumiu a liderança em seu Comentário de Gênesis, condenando todos os que asseveram que a Terra não está no centro do universo. Ele decidia o assunto com sua habitual referência ao primeiro verso do Salmo 93, perguntando: ‘Quem ousará colocar a autoridade de Copérnico acima da do Espírito Santo?’[4]

White, por sua vez, copiou tal equívoco de declarações fictícias dos escritos de Frederick William Farrar[5] (1831-1903), deão anglicano de Canterbury. A declaração de Farrar, repetida por White, tem sido amplamente repetida em livros, artigos e ensaios que tratam do tema “Religião e Ciência”, como Bertrand Russell em sua History of western philosophy[6]. Apesar dessa lenda ser tão bem aceita, ela não passa de ficção, uma vez que João Calvino nunca mencionou tais palavras, nem jamais citou Copérnico em seus escritos conhecidos.

É um fato triste da história que Calvino tenha sido adulterado e distorcido tão grosseiramente. É lamentável que ainda permaneça aceito que Calvino, e conseqüentemente o Calvinismo, tenham sido hostis contra o desenvolvimento das ciências naturais. De fato, a história é bem diferente, assim como avaliaremos a seguir.

A VERDADEIRA HISTÓRIA.

O fato é que Calvino encorajou amplamente o estudo científico da natureza em seus dias. Não só ele, mas também em seus discípulos se vê o mesmo nos anos que seguem à morte do reformador genebrino. Em suas Institutas, Calvino diz:

Inumeráveis são, tanto no céu quanto na terra, as evidências que lhe atestam a mirífica sabedoria. Não apenas aquelas coisas mais recônditas, a cuja penetrante observação se destinam a astronomia, a medicina e toda a ciência natural, senão também aquelas que saltam à vista a qualquer um, ainda o mais inculto e ignorante, de sorte que nem mesmo podem abrir os olhos e já se vêem forçados a ser-lhes testemunhas.[7]

Calvino, portanto, aprova e confia em certa medida tanto na astronomia quanto na medicina. McGrath afirma[8] que, de fato, Calvino confessa nessas palavras das Institutas certo tipo de ciúmes daquelas ciências naturais. Isso por elas serem capazes de provar de modo mais profundo (no mundo natural), e deste modo expor maiores evidências do método e da regularidade da criação, além da sabedoria de seu Criador.
Sustenta-se, portanto, que Calvino deu um impulso religioso fundamental para a o desenvolvimento das ciências. Em seus dias, tais legitimações sobre a investigação da medicina e da astronomia, indubitavelmente desanuviou o caminho para o avanço científico.

É possível ver a influência de Calvino sobre seus discípulos no que tange ao encorajamento à pesquisa científica. A Confissão de Fé Belga (que, segundo McGrath[9], exerceu particular influência nos Países Baixos) foi grandemente influenciada pela teologia de Calvino. E foi nessa região, onde ela exerceu maior influência, que, coincidência ou não, produziu-se um número notável de físicos e botânicos. Nesta confissão de fé, no artigo 2 (Como conhecemos a Deus), lê-se assim:

... visto que o mundo, perante nossos olhos, é como um livro formoso, em que todas as criaturas, grandes e pequenas, servem de letras que nos fazem contemplar "os atributos invisíveis de Deus", isto é, "o seu eterno poder e a sua divindade", como diz o apóstolo Paulo em Romanos 1.20: Todos estes atributos são suficientes para convencer os homens e torná-los indesculpáveis.[10]

Em outras palavras, Deus pode ser conhecido através de um estudo detalhado e minucioso de sua criação. E é impressionante, como já fora posto acima, a influência que esta confissão de fé teve sobre físicos e botânicos da região dos Países Baixos.
Em outras duas passagens das Institutas Calvino aprofunda um pouco mais a questão. Ele mostra como toda a criação não passa de um grande teatro que nos serve para revelar a glória de Deus:

Portanto, por mais que ao homem, com sério propósito, convenha volver os olhos a considerar as obras de Deus, uma vez que foi colocado neste esplendíssimo teatro para que fosse seu espectador, todavia, para que fruísse maior proveito, convém-lhe, sobretudo, inclinar os ouvidos à Palavra.[11]

Entrementes, não hesitemos em colher piedoso deleite das obras de Deus manifestas e patentes neste formosíssimo teatro. Pois, como o dissemos em outro lugar, embora não seja a evidência primordial à fé, contudo na ordem da natureza esta é a primeira: para onde quer que volvamos os olhos em derredor, devemos ter em mente que todas as coisas que nossos olhos divisam são obras de Deus, e ao mesmo tempo devemos refletir, em piedosa consideração, a que fim foram por Deus criadas.[12]

Nestes textos, Calvino claramente sugere que toda a natureza se posta ante os seres humanos como um formosíssimo teatro, ou, um teatro da glória de Deus. A humanidade é quem aprecia esse teatro, e o estuda também.

O professor Alister McGrath, da Universidade de Oxford, afirma que estas idéias foram tomadas com grande entusiasmo pela Royal Society, a organização mais importante devotada ao avanço da pesquisa e ensino científicos na Inglaterra. Segundo McGrath, muitos de seus primeiros membros foram admiradores de João Calvino, familiarizados com seus escritos e sua relevância para os campos de estudo daqueles[13].

Interessante como o próprio Sir Isaac Newton (1643-1727), cientista inglês, mais reconhecido como físico e matemático, embora tenha sido também astrônomo, alquimista, filósofo natural e teólogo, em sua correspondência com Richard Bentley (1662-1742) escreva sobre sua alegria em poder demonstrar evidência de design na regularidade do universo em sua obra de 1687, Principia Mathematica. Segundo McGrath, há nessas cartas claras alusões à referência de Calvino ao universo como sendo o “teatro da glória de Deus” onde todos nós podemos, como audiência, apreciá-lo e aprender dele[14].
O que se percebe lendo Calvino e aqueles que por ele foram influenciados é que, o estudo de toda a criação, seja por meio da medicina, ou da astronomia, ou da botânica, etc., conduz a humanidade a um aumento consciente da sabedoria daquele que criou todas as coisas visíveis e invisíveis.

Na visão do Dr. Abraham Kuyper (1837-1920)[15], homem profundamente familiarizado com os escritos de João Calvino, o calvinismo não pôde fazer outra coisa na história ‘senão encorajar o amor pela ciência’[16].

Portanto, Calvino não só encorajou e legitimou a busca pelo conhecimento da sabedoria do criador através das pesquisas científicas feitas pelos estudiosos das ciências naturais, como, também, eliminou muitos obstáculos dentro da própria religião que obstruíam tal avanço.

CALVINO E A REMOÇÃO DOS OBSTÁCULOS QUE IMPEDIAM O DESENVOLVIMENTO DAS CIÊNCIAS NATURAIS

A “GRAÇA COMUM” E A LUZ DA CIÊNCIA SOBRE OS PAGÃOS

Indubitavelmente, além de encorajar o desenvolvimento das ciências naturais, João Calvino buscou remover muitos obstáculos que impediam o avanço das pesquisas culturais e científicas em seus dias. Seu conceito acerca da graça comum ajudou a esclarecer muitas coisas além de remover outras que impediam o avanço do conhecimento.
Para ele, o Espírito Santo exercia influência comum sobre os homens em geral. A isso ele chamava de graça comum. Diante de eleitos e réprobos Deus exercia uma atitude favorável que se observava nas concessões necessária à sobrevivência (chuva, sol, alimento, abrigo, etc.) a todos. Assim ele diz nas Institutas:
Quantas vezes, pois, entramos em contato com escritores profanos, somos advertidos por essa luz da verdade que neles esplende admirável, de que a mente do homem, quanto possível decaída e pervertida de sua integridade, no entanto é ainda agora vestida e adornada de excelentes dons divinos. Se reputarmos ser o Espírito de Deus a fonte única da verdade, a própria verdade, onde quer que ela apareça, não a rejeitaremos, nem a desprezaremos, a menos que queiramos ser insultuosos para com o Espírito de Deus.[17]
João Calvino fora um humanista extremamente talentoso e realista. Por conta disso, o professor R. Hooykaas argumenta que Calvino jamais diria que a Queda teria ‘levado o homem a uma total depravação no campo científico’[18]. Ao contrário, Calvino via a graça comum de Deus sobre os pagãos. Graça que manifestava-se ao Deus conceder dons a eles que os capacitava a encontrar a verdade em suas pesquisas e escritos científicos.
Segundo o professor Hermisten M. P. da Costa, ‘Calvino dispunha de uma visão ampla da cultura, entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas; por isso, toda verdade é verdade de Deus’[19]. Para Costa, era no conceito da graça comum, ou, graça geral, que esta perspectiva de Deus sobre os pagãos se amparava.
Em seu comentário do livro de Gênesis, Calvino expõe claramente a graça comum. Ao mostrar Deus dando dons à amaldiçoada descendência de Caim (comentário de Gn 4), Calvino diz: ‘verdadeiramente é maravilhoso que esta raça que tinha caído profundamente de sua integridade superaria o resto da posteridade de Adão com raros dons’[20]. O texto que Calvino comenta é o seguinte:
E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado. O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta. A Zila também nasceu um filho, Tubal-Caim, fabricante de todo instrumento cortante de cobre e de ferro; e a irmã de Tubal-Caim foi Naama. (Gn 4.20-22)[21]
De modo que, para Calvino, foi a graça (comum) de Deus que permitiu a invenção das artes e de outras coisas úteis para a vida presente. Contudo, embora Calvino visse a graça de Deus sobre pagãos sendo derramada com fins de que estes tivessem habilidades para criar e também para descobrir cientificamente detalhes da criação, de longe o Livro Sagrado preocupava-se em ser um repositório de informações científicas. Hooykaas cita o comentário de Calvino ao texto de Gênesis 1.15: “A Bíblia era, portanto, um ‘livro para leigos’; ‘aquele que desejasse aprender astronomia, ou outras artes recônditas, que fosse a outros lugares’”[22].
Com isso em mente, Calvino desafiou a muitos dentro da própria igreja que tinham a Bíblia como um verdadeiro livro-texto sobre ciências. Ele removeu tal idéia provando ser a Bíblia um livro que não se preocupava com ciências naturais, mas com o conhecimento de Jesus Cristo.

A BÍBLIA NÃO É UM REPOSITÓRIO DE CIÊNCIAS NATURAIS

Quando afirmamos que João Calvino contribuiu grandemente para o desenvolvimento das ciências modernas, assim fazemos pelo fato dele ter lidado de maneira honesta com o literalismo bíblico.
Pessoas, até então, eram ensinadas a olhar para as Escrituras como um livro científico (além de religioso). Criam que a Bíblia tratava de detalhes da estrutura do universo. Assim, homens como Copérnico e Galileu, com suas teorias heliocêntricas, tiveram, em princípio, grandes problemas.
A Igreja Católica Romana ainda controlava a produção cultural e científica, e defendia a teoria do Geocentrismo (Terra como centro do Universo). Galileu Galilei foi condenado pelo Santo Ofício defendendo o heliocentrismo. Pouco antes de ser queimado na fogueira da Inquisição, negou o heliocentrismo diante do tribunal, tão somente para livrar-se de ser queimado. Porém, nunca deixou de acreditar no heliocentrismo e de pesquisá-lo.

O grande problema de muitos que hoje lidam com o tema Religião e Ciência, ainda reside no fato destes quererem encontrar na Bíblia um verdadeiro repositório de livros-texto sobre astronomia, geografia ou biologia[23]. A ênfase de João Calvino era que a Bíblia trata fundamentalmente do conhecimento de Jesus Cristo.

Alister McGrath comenta as palavras de Calvino no prefácio da tradução do Novo Testamento de Pierre Olivétan (1543), onde, segundo McGrath, Calvino remove o conceito, até então normal, da Bíblia ser um repositório científico. Calvino disse em tal prefácio:
O ponto principal das Escrituras é trazer-nos a um conhecimento de Jesus Cristo... As Escrituras nos provêem com um espetáculo, através do qual nós podemos ver o mundo como a criação de Deus e Sua auto-expressão; elas jamais pretenderam prover-nos com um repositório infalível de informações astronômicas e médicas[24].

É deste modo que Calvino lança luz sobre uma melhor opção de interpretação das Escrituras. Não mais olhar para a Bíblia como um livro que se preocupa com a infalibilidade em assuntos geográficos, físicos, químicos, botânicos, astronômicos, dentre outros. E sim um livro que se preocupa em aumentar nosso conhecimento de quem é Jesus Cristo, o Deus-Filho. A Bíblia, na visão de João Calvino, quando cita algo relacionado hoje ao estudo das ciências naturais, o cita de forma acomodativa, dentro dos limites do conhecimento de então. É a isso que se chama de Teoria da Acomodação.

A TEORIA DA ACOMODAÇÃO

Calvino insistiu que nem tudo o que a Bíblia diz sobre Deus ou sobre o mundo deve ser tomado literalmente. De acordo com McGrath, Calvino desenvolveu uma sofisticada teoria relacionada sempre com o termo ‘acomodação’[25]. A palavra ‘acomodação’ aqui significa ‘ajustar ou adaptar a fim de encontrar as necessidades da situação e da habilidade humana para compreendê-lo’. Alister McGrath diz que ‘Deus pinta um quadro de si mesmo que nós somos capazes de entender’[26].
Em outra obra, McGrath diz que, a teoria da acomodação de Calvino, resume-se em:

Deus, ao se revelar a nós, acomodou-se aos nossos níveis de entendimento e às nossas preferências naturais por meios ilustrativos de compreendê-lo. Deus se revela, não como Ele é em si mesmo, mas em formas adaptadas à nossa capacidade humana. Assim, a Bíblia fala de Deus tendo braços, boca, e assim por diante – mas essas são apenas metáforas vivas e memoráveis, apropriadas de maneira ideal às nossas habilidades intelectuais. Deus se revela de formas adequadas, convenientes às habilidades e situações daqueles para quem a revelação foi originalmente dada.[27]

Nessas palavras McGrath sintetiza o pensamento de Calvino sobre a maneira como Deus escolheu para se revelar aos homens: uma linguagem acomodada à ciência de então. Não uma linguagem cientificamente exata, mas, como já dito, adaptada.
Ao analisarmos outras fontes percebemos o quanto isso influenciou cientistas dos séculos XVI e XVII. O professor Hooykaas, em A religião e o desenvolvimento da ciência moderna, argumenta como a teoria da acomodação de Calvino influenciou seguidores de Copérnico nos países protestantes. Tais homens eram astrônomos, preocupados com o desenvolvimento da teoria do heliocentrismo, condenada pela igreja romana de então.
O escritor inglês Edward Wright (1558?-1615), ao prefaciar De Magnete, de William Gilbert (1600), utiliza argumentos que vêm diretamente de João Calvino. Naquele prefácio Wright defende a teoria heliocêntrica afirmando que ela, ao contrário do que se dizia em meios eclesiásticos, não se chocava em ponto algum com as Escrituras Sagradas.
No já referido texto, Wright usa a teoria da acomodação de Calvino para argumentar contra os literalistas bíblicos que levantavam objeções contra sua teoria. Seu argumento, segundo Hooykaas, foi dizer que ‘nem Moisés, nem os profetas, tiveram a intenção de divulgar sutilezas físicas e matemáticas, e, portanto, não entraram em minúcias supérfluas’[28]. Wright escreveu: ‘Moisés acomodou-se ao entendimento e à maneira de falar das pessoas comuns, como fazem as amas com as criancinhas’[29].
Essa é a mesma figura usada por João Calvino ao expor o versículo 7 do salmo 136. Lá, Calvino diz que:
O Espírito Santo não possuía nenhuma intenção de ensinar astronomia... O Espírito Santo escolhe se adaptar e se comunicar conosco como que balbuciando, ao invés de bloquear o caminho do conhecimento às pessoas rudes e incultas[30].

Tanto João Calvino como seus discípulos defenderam a teoria da acomodação, que usando de linguagem simples para falar a um povo simples, permitiu-se a alguns erros vulgares[31]. Tais erros foram permitidos com o fim do Espírito transmitir sua mensagem espiritual para o povo. É a isso que Calvino chama de balbuciar do Espírito.
Wright foi, indubitavelmente, influenciado por Calvino. Por isso escreve de modo tão semelhante a Calvino quando esse último trata do balbuciar do Espírito Santo. Ninguém é capaz de negar o quanto João Calvino influenciou pessoas em seus dias com a teoria da acomodação. Sua mudança de foco na interpretação da Bíblia Sagrada incentivou grande número de cientistas à pesquisa, sobretudo nos países protestantes. Os países ainda controlados eclesiasticamente por Roma ainda permaneciam com suas pesquisas científicas e culturais cerceadas pelo Santo Ofício.
Outro astrônomo famoso, também calvinista convicto, foi Philips van Lansbergen (1561-1632). Lansbergen fora, também, um ministro protestante. Ele foi ‘o mais zeloso propagador do copernicanismo nos Países Baixos’[32]. Hooykaas, citando um comentário do próprio van Lansbergen da epístola de Paulo a Timóteo em 2Tm 3.16, escreve que a Bíblia não fala sobre assuntos astronômicos:
...segundo a situação real, mas segundo as aparências... A Escritura foi-nos outorgada por inspiração de Deus, e deve ser usada para doutrina, exprobação, correção, e para o exercício da probidade, mas não é própria para o ensino da geometria e da astronomia.[33]
Outro grande nome na história da ciência é o de Johannes Kepler. Kepler fora um adepto de Copérnico. Teve por mestre Michael Mastlin, um teólogo-astrônomo. Em certa altura de sua vida, Kepler fora acusado de ser criptocalvinista. E é nesse momento que o vemos citando Calvino. Em sua obra Astronomia Nova (1609), logo na introdução, Kepler lembra muito Calvino ao dizer:
As Sagradas Escrituras falam sobre coisas comuns (no ensino daquilo para o qual elas não foram instituídas) a criaturas humanas, numa maneira humana, para que possam ser compreendidas pela humanidade; elas usam o que geralmente é reconhecido pelas pessoas, a fim de fazê-las entender outras coisas, mais elevadas e divinas.[34]
De modo que, aqui, mais uma vez se constata os efeitos libertadores dos escritos de João Calvino. Ele, realmente, removeu obstáculos para o desenvolvimento das ciências modernas.
Não fosse a honestidade de Calvino, sem falar de toda a sua dedicação em buscar no texto bíblico o seu real significado, talvez, ainda hoje estaríamos todos em muitas trevas de ignorância.
Embora Calvino não estivesse tão preocupado com o avanço do conhecimento científico quanto com o avanço do conhecimento de Jesus Cristo, é inegável e, por que não falarmos irrefutável, a preciosidade da contribuição de João Calvino para o desenvolvimento das ciências modernas.
Tal ênfase de Calvino pode ser percebida na citação do professor Hermisten Costa em seu livro Pensadores cristãos: Calvino de A a Z[35]. Neste livro (no verbete ciência), Costa faz menção às palavras de Calvino ao comentar o texto bíblico de 1Co 1.20 ‘Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?’[36].
No comentário desse texto Calvino diz: ‘O conhecimento de todas as ciências não passa de fumaça quando separado da ciência celestial de Cristo’.[37]

Portanto, para o reformador genebrino que, segundo Thea B. Van Halsema, fora um homem humilde que viveu sob o lema Soli Deo Gloria[38], nada se compararia ao estudo e ciência de quem foi e é Jesus Cristo. Todavia, seus olhos não estavam fechados para o que acontecia em seu tempo. E foi sua honestidade e acuidade em lidar com as Escrituras Sagradas que permitiram-lhe ser um dos muitos fatores que contribuíram para o desenvolvimento das ciências modernas, eliminando um obstáculo significante ao avanço das ciências naturais: o literalismo bíblico.
CONCLUSÃO

Podemos concluir afirmando que, na relação entre João Calvino e o desenvolvimento das ciências modernas, há elos muito próximos e intrínsecos. Costa afirma que ‘a visão teológica de Calvino permeada pela soberania de Deus, fez com que ele procurasse relacionar a aplicação desta soberania às diversas atividades culturais do ser humano’[39]. Ou seja, Calvino entendia que as ciências e as humanidades deveriam ser usadas para a glória de Deus.

Mesmo a despeito de tantos erros de historiadores, ainda hoje pode-se constatar em fontes primárias o quanto João Calvino encorajou o desenvolvimento das ciências naturais em seus dias. A influência de Calvino é impressionante. Como avaliações após avaliações indicam, tanto as ciências físicas quanto as biológicas foram dominadas por Calvinistas durante os séculos dezesseis e dezessete[40]. Isso se deve aos obstáculos removidos por João Calvino em suas Institutas da Religião Cristã, em seus comentários dos livros da Bíblia, em seus sermões, em suas correspondências, e em prefácios escritos por ele.

De fato, Calvino encorajou o avanço das pesquisas científicas, e permaneceu tal como um espectador “ciumento”, atento às descobertas de cientistas da astronomia e da medicina, como alguém que desejava conhecer a sabedoria do Criador por meio dos dons dados por ele, ainda que para homens ímpios (graça comum).

Mas não só encorajou, removeu obstáculo que impediam tal avanço. De modo brilhante e inédito quebrou paradigmas, lançou luz sobre as Escrituras, e nisso também influenciou uma avalanche de pesquisadores em alguns países na Europa.

Alister McGrath faz uma boa reflexão sobre como seria hoje se Calvino ainda tivesse tanta influência sobre o debate religião e ciências. O fato é que, desde o século dezenove, esses dois tópicos têm travado uma batalha mortal. Dentro de nossa cultura ocidental, alguns desonestos e desinformados escritores têm atribuído a Calvino e seus seguidores a culpa por tal dilema, quando, na verdade, para Calvino não existia dilema algum.

Esta especulação de McGrath sobre como seria o debate evolucionista se hoje Calvino ainda tivesse grande influência, não passa de um mero raciocínio abstrato.

De fato, o que hoje sabemos e podemos afirmar é que as idéias e influência de João Calvino exerceram um grande impulso religioso que resultou na rápida expansão das ciências naturais nos séculos dezesseis e seguintes.

[1] HOOYKAAS, R. A religião e o desenvolvimento da ciência moderna. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1972. p.157.
[2] Nicolau Copérnico, astrônomo polonês, 1473-1543.
[3] MCGRATH, Alister. A life of John Calvin. Oxford: Blackwell Publishers, 1990. p.xiv. Minha tradução.
[4] WHITE, A.D. A history of the warfare of science with theology in christendom. In: HOOYKAAS, op. cit. p. 157
[5] FARRAR, F.W. History of interpretation. In: HOOYKAAS, op. cit. p. 157
[6] MCGRATH, op. Cit. p.xvi.
[7] CALVINO, João. As institutas ou tratado da religião cristã. São Paulo: Cultura Cristã, 2003, I.5.2.
[8] MCGRATH, op. Cit. p. 255.
[9] MCGRATH, Alister E. Reformation thought: an introduction. Oxford: Blackwell Publishers, 1999. p.274.
[10] Confessio Belgica. Confissão de Fé Belga. Artigo 2. Documento teológico produzido pela Igreja Reformada da Bélgica em 1561.
[11] CALVINO, As Institutas, I.6.2.
[12] Ibid., I.14.20.
[13] MCGRATH. A life of John Calvin. p.255.
[14] MCGRATH, op. Cit. p. 255.
[15] Abraham Kuyper fora um jornalista, teólogo e filósofo holandês. Trabalhou intensamente nas áreas acadêmica e política de seu país, chegou a servir como Primeiro Ministro da Holanda de 1901 a 1905. Kuyper fora o fundador da famosa Universidade Livre de Amsterdã.
[16] KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2002. p. 119.
[17] CALVINO, As Institutas, II.2.15.
[18] HOOYKAAS, op. Cit. p. 152.
[19] COSTA, Hermisten Maia Pereira da. A reforma calvinista e a educação. Fides Reformata. v.13, n. 2, 2008. p. 34.
[20]CALVIN, John. Calvin's Commentaries. Electronic ed. Galaxie Software: Garland, TX.
[21] BÍBLIA SAGRADA. Trad. João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 2007. p.6.
[22] HOOYKAAS, op. Cit. p. 153.
[23] MCGRATH, op. Cit. p. 256.
[24] MCGRATH, loc. cit.
[25] MCGRATH, Reformation Thought. p. 275.
[26] MCGRATH, loc. cit..
[27] MCGRATH, A life of John Calvin. p. 256.
[28] HOOYKAAS, op. Cit. p. 160.
[29] GILBERT, William. De Magnete. In: HOOYKAAS, R. loc. cit.
[30] CALVIN, John. Calvin's Commentaries. Electronic ed. Galaxie Software: Garland, TX.
[31] HOOYKAAS, op. Cit. p. 154, 164.
[32] Ibid., p. 160.
[33] Ibid., p. 160-161
[34] KEPLER, Johannes. Astronomia Nova. In: HOOYKAAS, op. Cit. p. 161.
[35] COSTA, Hermisten Maia Pereira da. Pensadores cristãos: Calvino de A a Z. São Paulo: Editora Vida, 2006.
[36] Bíblia Sagrada. Op.cit. p. 1153.
[37] CALVIN, John. Calvin's Commentaries. Electronic ed. Galaxie Software: Garland, TX.
[38] HALSEMA, Thea B. Van. João Calvino era assim. São Paulo: Editora Vida Evangélica, 1968. p. 206.
[39] COSTA, Hermisten Maia Pereira da. A reforma calvinista e a educação. Fides Reformata. v.13, n. 2, 2008. p. 35.
[40] MCGRATH, op. cit. p. 254.







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Author: Wilson Porte Jr.
•4:25 AM
Traduzi o texto abaixo do site da Grace Community Church, igreja pastoreada por John MacArthur Jr. Trata-se de uma pequena apresentação do evangelho de modo bíblico e belo. Chamo-o de uma mensagem evangelística reformada pelo fato dela não conter nenhuma apelação a que o leitor tome "uma decisão por Cristo". Ele, simplesmente, apresenta o evangelho, chamando pecado de pecado e pecador de pecador, convidando o mesmo a que se arrependa e creia no evangelho. Vamos a esse belo texto.


QUEM VOCÊS PENSAM QUE EU SOU?



Com aquela simples questão, Jesus Cristo confrontou seus seguidores com a questão mais importante que eles jamais enfrentariam. Ele gastou muito tempo com eles e fez algumas reivindicações muito claras acerca de Sua identidade e autoridade. Agora o tempo chegou para eles ou acreditar ou negar em Seus ensinamentos.
Quem você diz que Jesus é? Sua resposta a Ele determinará não apenas seus valores ou estilo de vida, como também seu destino eterno.Considere o que a Bíblia diz acerca dEle:

JESUS É DEUS

Enquanto Jesus esteve na Terra houve muita confusão acerca de quem Ele era. Alguns pensavam que Ele era um homem sábio ou um grande profeta. Outros pensavam que Ele era um louco. Ainda outros não puderam decidir ou não se preocuparam. Mas Jesus disse, "Eu e o Pai somos um" (João 10:30). Aquilo significou que Ele reivindicou ser nada menos que Deus em carne humana.
Muitas pessoas hoje não entendem que Jesus disse que era Deus. Eles se satisfazem em pensar dEle como um pouco mais que um grande professor de moral. Mas até seus inimigos entenderam suas reivindicações à deidade. É por isso que eles tentaram apedrejá-lo até a morte (João 5:18; 10:33) e conseqüentemente eles O crucificaram(João 19:7).
C.S. Lewis observou, "Você pode calá-lo como a um louco, você pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou você pode cair aos Seus pés e chamá-lo Senhor e Deus. Mas não venhamos a propor nenhuma tolice protetora acerca dEle ser um grande professor humano. Ele não nos deixou essa escolha. Ele não pretendia ser isso." (Mere Christianity [Macmillan, 1952], pp. 40-41).
Se as reivindicações de Jesus são verdadeiras, Ele era Deus!

JESUS É SANTO

Deus é absoluta e perfeitamente Santo (Isaías 6:3), conseqüentemente Ele não pode cometer ou aprovar o mal (Tiago 1:13).
Como Deus, Jesus incorporou todos os elementos do caráter de Deus. Colossenses 2:9 diz, " porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." Ele era perfeitamente santo (Hebreus 4:15). Até mesmo seus inimigos não puderam provar qualquer acusação contra Ele (João 8:46)
Deus exige santidade de nós também. 1Pe 1:16 diz, " Sereis santos, porque eu sou santo."

JESUS É O SALVADOR

Nosso fracasso em obedecer Deus—ser santo—põe-nos em um perigo de punição eterna (2Ts 1:9). A verdade é, nós não podemos obedecê-lo porque nós não temos o desejo nem a habilidade para fazer isso. Somos por natureza rebeldes contra Deus (Ef 2:1-3). A Bíblia chama nossa rebelião "pecado." De acordo com as Escrituras, cada um é culpado de pecado: " não há homem que não peque" (1Re 8:46). " Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Romanos 3:23). E somos incapazes de mudar nossa condição pecaminosa. Jeremias 13:23 diz, " pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? Nem podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal."
Isso não significa que somos incapazes de executar atos de caridade humana. Nós podemos, até mesmo, estar envolvidos em várias atividades religiosas ou humanitárias. Mas nós somos totalmente incapazes de entender, amar, ou agradar a Deus por nós mesmos. A Bíblia diz, " Não há justo, nem sequer um. Não há quem entenda; não há quem busque a Deus. Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só." (Romans 3:10-12).
A santidade e justice de Deus requer que todos os pecados sejam punidos com a morte: "A alma que pecar morrerá" (Ezequiel 18:4). É duro para nós entendermos porque nós tendemos a avaliar pecado em uma balança relativa, assumindo que certos pecados são menos sérios que outros. Todavia, a Bíblia ensina que todos os atos de pecado são o resultado de pensamentos pecaminosos e desejos malignos. É por isso que simplesmente mudando nossos padrões de comportamento não resolve nosso problema de pecado ou elimina suas conseqüências. Precisamos ser mudados interiormente para que, assim nossos pensamentos e desejos sejam santos.
Jesus é o único que pode nos perdoar e transformar, nos libertando assim do poder e penalidade de pecado: " E em nenhum outro há salvação; porque debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, em que devamos ser salvos. " (Atos 4:12).
Embora a justiça de Deus exija morte pelo pecado, o amor dele proveu um Salvador que pagou a penalidade e morreu pelos pecadores: " Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus" (1Pe 3:18). A morte de Cristo satisfez a exigência da justice divina, nisso O capacitando a perdoar e salvar aqueles que colocassem sua fé nEle (Romanos 3:26). João 3:16 diz, " Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Apenas Ele é "nosso grande Deus e Salvador" (Tito 2:13).

JESUS É O ÚNICO OBJETO ACEITÁVEL DE FÉ SALVADORA

Algumas pessoas pensam que não importa no que você acredita contanto que você seja sincero. Mas sem um objeto válido sua fé é inútil.
Se você toma veneno—pensando ser remédio—toda a fé do mundo não restaurará sua vida. Semelhantemente, se Jesus é a única fonte de salvação, e você está confiando em qualquer outro ou qualquer outra coisa para a sua salvação, sua fé é inútil.
Muitas pessoas assumem que há muitos caminhos para Deus e que cada religião representa um aspecto da verdade. Mas Jesus disse, " Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” (Jo 14:6). Ele não reivindicou ser um de muitos outros caminhos iguais para Deus, ou o caminho para Deus para o dia de hoje apenas. Ele disse ser o ÚNICO caminho para Deus—então e para sempre.

JESUS É SENHOR

Pensamentos contemporâneos dizem que o homem é o produto da evolução. Mas a Bíblia diz que nós fomos criador por um Deus pessoal para O amar, servir, e nos alegrarmos em comunhão eterna com Ele.
O Novo Testamento revela que foi o próprio Jesus quem criou tudo (João 1:3; Colossenses 1:16). Então Ele também possui e rege tudo (Salmo 103:19). Isso significa que Ele tem autoridade sobre nossas vidas e nós devemos submissão, obediência, e adoração absoluta a Ele.
Romanos 10:9 diz, " se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo." Confessando Jesus como Senhor significa humilde submissão à Sua autoridade (Fp 2:10-11). Crer que Deus O ressuscitou dos mortos envolve crer no fato histórico de Sua ressurreição—o ápice da fé cristã e o caminho o Pai afirmou a deidade e autoridade do Filho (Romanos 1:4; Atos 17:30-31).
A fé verdadeira é sempre acompanhada pelo arrependimento do pecado. Arrependimento é mais do que simplesmente ficar triste pelo pecado. É concordar com Deus que você é pecador, confessando seus pecados a Ele, e fazendo uma escolha consciente ao desviar-se do pecado e procurar a santidade (Is 55:7). Jesus disse, " Se me amardes, guardareis os meus mandamentos " (Jo 14:15); e " Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos " (Jo 8:31).
Não é suficiente crer em certos fatos acerca de Cristo. Até mesmo Satanás e seus demônios crêem em um verdadeiro Deus (Tg 2:19), mas eles não amam nem obedecem a Ele. A fé deles não é genuína. A verdadeira fé salvadora sempre responde em obediência (Ef 2:10).
Jesus é o Senhor soberano. Quando você O obedece você está admitindo, confessando o Senhorio dEle e se submetendo à Sua autoridade. Isso não significa que sua obediência será sempre perfeita, mas que esse é seu objetivo. Não há nenhuma área de sua vida que você recusa a Ele.

JESUS É O JUIZ

Todos que rejeitarem Jesus como Senhor e Salvador irão um dia encará-lo como o Seu juiz: " Mas Deus, não levando em conta os tempos da ignorância, manda agora que todos os homens em todo lugar se arrependam; porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (Atos 17:30-31).
2Ts 1:7-9 diz, " e a vós, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do senhor e da glória do seu poder."


COMO VOCÊ RESPONDERÁ?
Quem a Bíblia diz que Jesus é? O Deus vivo, o Santo, o Salvador, o único objeto válido da fé salvadora, o soberano Senhor, e o Justo Juiz. Quem você diz que Jesus é? E esta é a questão da qual não se pode escapar. Apenas Ele pode remir você—libertar você do poder e punição do pecado. Apenas Ele pode transformar você, restaurar você para uma comunhão com Deus, e dar a sua vida um propósito eterno. Você se arrependerá e crerá em Jesus Cristo como seu Senhor e Salvador?
Texto traduzido do site da Grace Community Church (Pr. John MacArthur Jr.) intitulado Who is Jesus Christ? por Wilson Porte Jr.
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Author: Wilson Porte Jr.
•11:31 AM
O Livro Deus é Soberano de Arthur W. Pink é um dos que mais impactaram minha vida. Posto abaixo um resumo bastante simples dessa preciosa jóia da literatura cristã do século XX.


Capítulo 1 - A SOBERANIA DE DEUS E A ATUALIDADE

Quem está regendo os acontecimentos na terra hoje? - Deus ou o diabo? Que Deus reina supremo no céu é geralmente conhecido, porém, que ele reina supremo na terra, neste mundo (aqui debaixo), é quase universalmente negado (2 Co 4.4 - o diabo é o ‘deus' deste mundo);
Quem, entretanto está dirigindo as coisas no mundo hoje - Deus ou o diabo?
MUNDO HOJE: há um cenário de confusão e de caos que nos confronta por toda parte.
O pecado e a ilegalidade predominam. Até em nosso meio , homens perversos e impostores estão, de fato, se tornando cada vez piores, hoje em dia tudo parece desconjuntado no mundo: tronos têm problemas e caem, povos entram em revoltas, nações guerreiam e às vezes ninguém sabe o porquê. A civilização é um fracasso... (em seus serviços, escolas, igrejas, famílias...), quando lemos ou assistimos ao jornal, vemos que a agitação, a insatisfação, a ilegalidade permeiam por todos os lugares e ninguém pode prever dentro de que tempo outra grande guerra começará, Questões como essas fazem muitos perguntarem se Deus, realmente, está no governo desse mundo e não o diabo.
A.W. Pink se propõe a ver como anda a IGREJA HOJE. Embora estejamos no vigésimo primeiro século, Cristo continua sendo (Is 53.3) “desprezado e o mais rejeitado” pelos homens. Muitos estudiosos declaram que o cristianismo é um fracasso devido ao que hoje é ‘normal' em nosso meio (sonegar, divorciar, adulterar, sair na playboy, ser crente e dançarina de pagode, freqüentar bingos, boates, sair para beber, quem está namorando ir num motel, participar de swing de casais, mentir para se dar bem, falar palavrão, adolescentes e jovens que ficam, ... e na boca dos quais o papo é sempre homem (ou mulher). E o que Deus está fazendo? Ele está vendo e ouvindo? Se está, será que está impotente e indiferente? Há pastores e líderes que dizem que Deus não pode interferir sobre as coisas que acontecem neste mundo. Por exemplo, disseram que Deus não poderia por fim a 2ª Guerra Mundial e não teve capacidade de pôr fim a ela. Eles afirmavam que as condições estavam além do controle de Deus. Pastores disseram isso. Coisas como estas dão a impressão de ser Deus que governa o mundo?
Pink questiona várias vezes: Quem está dirigindo as coisas nesta terra atualmente - Deus ou o diabo? Que impressão fica na mente de um homem/mulher do mundo que, de vez em quando freqüenta um culto evangélico? Pink sugere que estes homens/mulheres do mundo têm crido que Deus é um frustrado, mais digno de nossa compaixão do que de nossa adoração. Olhando para o mundo hoje, para toda a falta de moral e respeito, educação e honestidade, amor, espiritualidade, ódio, vingança, tudo não parece indicar que o diabo tem mais a ver com as coisas desta terra do que Deus? Segundo Pink, isso depende de como um homem está andando neste mundo. Se é pela fé, ou pelas aparências? Pink diz que temos andado pouco pela fé.
Nossa época é, especificamente, uma época de irreverência e conseqüentemente uma época de livre vontades: se o marido quer sair no feriado porque se sente melhor com os amigos do que com a esposa e os filhos, ele o faz, porque a final de contas, ele é ‘livre', se eu quero sair na noite, beber um pouco, talvez ficar com alguém, posso fazê-lo também, afinal, sou ‘livre'. Uma onda que invade o mundo é: você é livre para fazer o que você quiser! Isso começa no lar, pois vivemos numa época de decadência e desaparecimento da autoridade dos pais; o filho já não entende o que é autoridade dos pais. Isso é só o começo da história da vida de alguém que não consegue obedecer a nenhuma autoridade. É por isso que Deus não é levado a sério hoje. Quem está regendo as coisas na terra, hoje em dia - Deus ou o diabo? Que dizem as Escrituras? Se cremos em suas declarações, não existem dúvidas. A Bíblia afirma que Deus está no trono do universo, que o cetro está em suas mãos, que ele dirige todas as coisas “conforme o conselho da sua vontade”. Deus criou todas as coisas e domina e reina sobre todas as obras das suas mãos. Pink afirma que Deus é o Todo-Poderoso, que sua vontade é irreversível, que ele é soberano e absoluto sobre cada recanto deste universo. Ou Deus domina, ou é dominado; ou impera, ou é subordinado; ou cumpre sua própria vontade, ou ela é impedida por suas criaturas. Deus sabe de tudo que está acontecendo na vida de cada ser humano. Ele está tratando seus problemas, inquietações e pecados conforme Ele entende ser a melhor forma de tratar. Por isso, nunca deveríamos dizer que estamos sendo oprimidos, que estamos passando por tribulações ou problemas porque Deus se esqueceu de nós, ou porque o diabo está nos oprimindo. Tudo o que acontece com o ser humano é por propósito de Deus para o seu crescimento.
Deus sabe de tudo. Ele é soberano sobre os céus e sobre a terra; e se importa conosco. Muitos homens estão desesperados quanto a uma possível crise nacional e mundial, mas Deus não. Ele nunca se surpreende. Quando acontece alguma coisa na vida de um homem do mundo, ele logo entra em pânico, porém, quando as mesmas coisas acontecem para o crente, a Bíblia diz para ele: Não Temas. “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Rm 8.28). Todas as coisas incluem os sofrimentos! Paulo diz isso em Rm 8 de 17 a 23. O cristão deve crer que o sofrimento coopera para o bem, que a tribulação coopera para o bem, que todos os seus problemas cooperam para o seu bem. Segundo Pink, quando crermos assim, tudo o que há de ruim (parece ser ruim) nessa vida passará a ter um novo sentido, um sentido bom por estar dentro do propósito de Deus para o nosso crescimento e para a Glória Dele. Pink reconhece que nós, muitas vezes, não compreendemos, nem aceitamos o que Deus faz. Mas a Bíblia diz que em todas as coisas Ele age para o nosso bem supremo. A Bíblia nos dá muitos exemplos disso (um deles é José). Muitos supõem que Deus é apenas um espectador distante, que não interfere de maneira direta nos assuntos da terra. Pink então expõe um exercício feito por ímpios: “isso acontece na mente de um incrédulo porque ele observa a relação de Deus com seus problemas da seguinte forma: ele olha para os seus problemas e tenta entender como Deus permitiu que aquilo acontecesse com ele ”. Logo Pink expõe um exercício sugerido aos cristãos: “nunca tente entender os problemas partindo do mundo até chegar a Deus (isso só trará idéias na sua cabeça de que Deus não tem qualquer ligação com sua vida ou o mundo). Comece, porém, com Deus e venha gradualmente até o mundo, até seus problemas, e aí sim, muitas coisas ficarão claras (Deus é Santo..., Deus é justo..., Deus é fiel..., Deus é onipotente..., Deus é onisciente..., etc.).
Capítulo 2 - A SOBERANIA DE DEUS - DEFINIÇÃO
Segundo Pink, no passado, a expressão Soberania de Deus era mais bem entendida por muitos. Hoje, porém, mencioná-la é como falar em uma língua desconhecida. Dizer que Deus é soberano é, simplesmente, dizer que Deus é Deus, Onipotente, que governa as nações (como diz Sl 22.28), e que Ele é o Único soberano. É tratar do Deus da Bíblia.
Pink trata da relação entre o Deus da Bíblia e o Deus de hoje. Para ele, o Deus de hoje é uma mera caricatura, um desenho deplorável, uma “burlesca imitação” do Deus da Bíblia. Muitos hoje têm dito crer num Deus que está fazendo de tudo, o melhor que pode, para salvar a humanidade, mas que muitos têm reagido contrariamente a Sua proposta de salvá-los. Pink diz que isso nada mais é do que dizer e pensar que Deus é impotente e que a vontade da criatura, dos seres humanos, é onipotente.
A.W. Pink deixa claro que Deus é Soberano e, como tal, faz o que bem quer. Deus faz o que Ele quer para quem Ele quer
Capítulo 3 - A SOBERANIA DE DEUS NA CRIAÇÃO
A soberania marca todos os seus caminhos e modos de ser. Deus é soberano mesmo antes da criação. Ele podia decidir se criaria ou não. Segundo o seu prazer, Ele decidiu criar a vasta graduação do universo ao invés de uma completa uniformidade. Pink nos leva a fazermos o seguinte exercício: “ Dirija o seu olhar para os céus ... agora pense em nosso planeta ... considere o reino animal ... considere o reino vegetal ... considere as hostes celestiais ... Deus é soberano e tudo executa segundo Sua vontade e para o seu próprio beneplácito considerando somente a Sua glória ”. Com quem compararíamos Deus?

Capítulo 4 - A SOBERANIA DE DEUS NA ADMINISTRAÇÃO
• A princípio vê-se a tremenda necessidade de Deus reinar sobre o nosso mundo, de ocupar o trono, de ter o governo sobre seus ombros e de controlar as atividades e o destino de suas criaturas.
• O GOVERNO DA MATÉRIA INANIMADA.
Deus é visto, nas Escrituras, dominando sobre toda matéria inanimada. É ele quem ordena aos ventos, à terra, ao mar, ao ar, ao fogo, à água, a tudo, e, por isso, quando nos queixamos do clima, na verdade estamos nos queixando de Deus e seu soberano governo.
• DEUS GOVERNA AS CRIATURAS IRRACIONAIS
É incrível como as Escrituras estão repletas de exemplos da soberania e do governo do Senhor sobre a vida animal na Terra. Todos cumprem a vontade dEle, independente da situação, todos lhe obedecem.
• DEUS GOVERNA OS FILHOS DOS HOMENS
Em Pv 19:21 temos um ótimo exemplo disso quando lá aprendemos que os passos do homem (não dos crentes, mas, de todos os homens) são dirigidos pelo Senhor dando a prova de que este é governado ou controlado por Deus. Segundo A.W. Pink: “é ridículo que os cacos de barro da terra contendam com a gloriosa Majestade celestial. Tal é o nosso Deus; adorai-O.”
• DEUS GOVERNA OS ANJOS, TANTO OS BONS COMO OS MAUS.
Um exemplo desse governo de Deus exposto no Antigo Testamento encontra-se em 1 Cr 21:15,27. Os anjos estão sempre atentos à voz do Senhor. No texto de 1 Crônicas lemos um anjo destinado à Jerusalém para destruí-la ouvindo um Basta de Deus, ordenando que ele (o anjo) embainhe sua espada. Já no Novo Testamento temos o exemplo do governo de Deus sobre os anjos maus exposto na pessoa de Jesus, em especial quando ele se depara com uma legião de demônios os quais lhe suplicam que hes conceda permissão para entrarem nos porcos. Nas Escrituras está claro o governo de Deus sobre os anjos, tanto bons quanto maus. Todos estão sob o controle de Deus.
Segundo Pink: “Nenhum movimento de qualquer astro, nenhum piscar de qualquer estrela, nenhuma tempestade, nenhum ato de qualquer criatura, nenhuma ação humana ou missão de anjos, nenhum dos atos de satanás - nada, em todo o vasto universo pode acontecer, sem que faça parte do eterno propósito de Deus”.

Capítulo 5 - A SOBERANIA DE DEUS NA SALVAÇÃO
Não se pode argumentar que um dia chegou o momento em que eu me dispus, desejoso de receber a Cristo como Salvador, pois, só o Senhor é quem pode me dar uma disposição para a mudança. Pelo fato dEle ser soberano e fazer tudo com lhe agrada, ninguém pode questionar-lhe a razão dEle não dispor o coração de todos. Crer que muitos rejeitam a Cristo e que essa é a razão deles não serem salvos é apenas parte da verdade; a parte humana. Mas, há também o lado divino que, caso não seja ressaltado, Deus será, como diz Pink: “despojado de sua glória”.
• A SOBERANIA DE DEUS PAI NA SALVAÇÃO.
Rm 9 é, talvez, a passagem mais enfática quanto à soberania de Deus. Deus está reivindicando o direito indispensável de fazer o que quiser com que Ele criou e que lhe pertence. Inúmeros exemplos bíblicos são dados para ressaltar não só o governo divino na história do Antigo Testamento, mas também, a eleição incondicional gratuita de um povo. O que é interessante nessa dinâmica divina é que Ele escolheu ‘as coisas fracas do mundo'. Interessante que os objetos da escolha divina são estes, os quais têm o propósito de engrandecer a graça divina. ‘O Propósito' dessa escolha é que esses eleitos fossem “santos e irrepreensíveis perante ele”. ‘O Motivo' dessa escolha foi o amor. Um ponto muito interessante abordado por A.W.Pink é a incoerência em dizer que pelo fato de Deus ter escolhido alguém para a salvação, que essa pessoa será salva, quer queira quer não. Nada na Bíblia direciona para isso. Porém, direciona para o fato de que Deus indicou os meios pelos quais o fim dos predestinados fosse concretizado por meio da obra do Espírito Santo e da fé na Verdade.
• A SOBERANIA DE DEUS FILHO NA SALVAÇÃO
A grande questão discutida neste ponto foi: Por quem Cristo morreu? Cristo tinha uma determinação quando foi à cruz. Tinha, segundo Pink, um propósito de extensão limitada, pois, se o propósito de Deus fosse salvar toda a humanidade, logo todos os seres humanos deveriam ao final de tudo serem salvos. O propósito predeterminado da morte de Cristo foi morrer somente pelos eleitos. O propósito da expiação limitada implica assim, numa eleição, numa escolha que o Pai fez de certas pessoas para a salvação delas. João 6.37,39 é um dos textos apresentados por Pink para defender a Soberania de Deus sobre o Filho e a Salvação: “...todo o que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora ... que nenhum eu perca de todos os que me deu...”. Cristo satisfez a ira divina e substituiu o homem culpado, morrendo o justo pelos injustos. Ainda dentro desse aspecto limitido da expiação, até o sacerdócio de Jesus, em favor de quem Ele está intercedendo, é limitado. Hebreus 7.25 é um texto muito claro nisso “... vivendo sempre a interceder por eles...”. Pink pensou um pouco sobre a razão de alguns não receberem a Cristo: será que a causa disso ocorrer é que o coração destas pessoas se encontra muito duro ao ponto de que Cristo não consegue entrar neles? Pink nega isso e diz que isso seria negar a onipotência de Cristo, quando, na verdade, não se deveria tratar de disposição ou indisposição do pecador, mas de Cristo querer!
• A SOBERANIA DE DEUS ESPÍRITO SANTO NA SALVAÇÃO
Na trindade, todos desempenham um papel um em nossa salvação. O Pai é responsável pela predestinação, o Filho pela propiciação, e o Espírito Santo pela nossa regeneração. É o Espírito Santo que realiza Sua obra em nós. Por mais que queiramos encontrar nas Escrituras evidências para as razões do porquê que alguns ficam de fora do Reino de Deus e outros não, não encontraremos senão que é pelo fato de o Espírito Santo não operar neles. O Espírito Santo é soberano no desempenho de seu poder e age como o vento, soprando para aonde quer.

Capítulo 6 - A SOBERANIA DE DEUS EM OPERAÇÃO
No sexto capítulo A.W. Pink questionou sobre se Deus predestinou tudo o que acontece. Será que Ele pré-escreveu que tudo o que hoje está acontecendo, ou mesmo os acontecimentos atuais (dos alegres aos mais trágicos), e tudo o que acontecerá amanhã? O autor lida com essa questão, a princípio, deixando bem claro que a presciência de Deus não é a causa dos eventos, mas os efeitos de seu propósito eterno. Nada acontece sem que Deus tenha antes o determinado. O autor cita o exemplo da Crucificação e que nada podemos saber que sucederá sem que Deus, antes, não o tenha dito que acontecerá.
Ao lidar com a questão sobre o grande propósito de Deus para esse mundo e toda a raça humana o autor, A.W. Pink, diz que a grande finalidade de tudo o que Deus criou é a glória dEle (cita Ap 4.11; Sl 19.2). Igualmente, o homem foi criado por Deus para manifestar a Sua glória.
Após isso Pink trata de um Método de Deus lidar com os Justos . Menciona quatro pontos principais sobre os quais fundamenta sua pressuposição: 1)Deus exerce sobre seus eleitos uma influência ou poder vivificante ; 2) Deus exerce sobre seus eleitos uma influência ou poder dinamizante ; 3) Deus exerce sobre seus eleitos uma influência ou poder orientador ; 4) Deus exerce sobre seus eleitos uma influência ou poder preservador . Ao falar sobre o Método de Deus lidar com os Ímpios Pink chega a quatro conclusões: 1) às vezes Deus exerce sobre os ímpios uma influência restringente - para que não consigam ; 2) às vezes Deus exerce sobre sobre os ímpios uma influência abrandadora - por meio da qual os influencia a fazerem algo contrário à inclinação natural deles, para fazer algo que promoverá a glória de Deus e a Sua causa ; 3) às vezes, Deus exerce sobre os ímpios uma influência direcionadora - para que o mal que pretendiam fazer resulte em bem ; e, 4) Deus também endurece o coração de homens ímpios e cega o entendimento dos mesmos.

Capítulo 7 - A SOBERANIA DE DEUS E A VONTADE HUMANA
Neste capítulo A.W. Pink trata sobre a doutrina do “livre-arbítrio”. Diz que essa é uma doutrina popular ensinada na maioria dos púlpitos, a doutrina da livre vontade humana diante do Espírito Santo. Diz que hoje é vergonhoso, que atrai desagrado, alguém dizer que não crê no Livre-Arbítrio da vontade humana. Pink começa rebatendo com o texto de Rm 9.16: “... não depende de quem quer ... mas de usar Deus a sua misericórdia ...”. Cita também o Senhor Jesus em João 5.40: “... não quereis vir a mim para terdes vida ...”.
Segundo Pink, o que vai fazer diferença entre um grupo e outro será o fato de os convertidos renderem-se ao Espírito Santo, enquanto que os não-convertidos resistem. Porém, para evitar o orgulho Pink lembra-nos de Efésios 2.8: “... isto não vem de vós , é dom de Deus ...”.
Mencionando sobre a natureza e a escravidão da vontade humana, Pink cita que o pecado é que é livre, mas em uma só direção: para cair, pecar. Cita Rm 6:20 dizendo que o pecador é livre para fazer o que quiser, “mas o seu prazer é cair no pecado”. Ao tratar sobre a incapacidade da Vontade Humana, o autor traz a idéia de que o púlpito evangélico moderno transparece que o poder está no pecador de ser salvo ou não. Pink diz: “Infelizmente, um morto nada pode fazer, e, por natureza, os homens estão mortos nos delitos e pecado (Ef 2.1)”. Para Pink, se essa doutrina fosse realmente pregada e crida haveria mais dependência do Espírito Santo, para Ele atuar com poder e opera milagres, e “menos confiança em nossas tentativas de ‘ganhar homens para Cristo'”.
Concluindo esse capítulo Pink trata da seguinte questão: Por que pregar o evangelho, se os homens não têm capacidade de responder favoravelmente a ele ? Pink responde a essa questão de forma simples dando ênfase em que não se deve pregar o evangelho porque se crê que o homem possui o poder de escolha (livre-arbítrio) e, assim, torna-se apto a receber a Cristo, mas, porque recebemos um mandamento de devemos pregar.

Capítulo 8 - A SOBERANIA DE DEUS E A ORAÇÃO
O autor inicia rebatendo a idéia (também moderna) de que o homem pode mudar seu destino por sua vontade é ‘endeusar', tornar suprema a vontade da criatura, “destronando” o Senhor.
Para A.W. Pink, os benefícios que resultam da oração seriam: 1) Deus tornar-se-á mais real para aqueles que oram; 2) se alguém não orar deixará de desfrutar comunhão com Deus e com tudo e com tudo que está envolvido nessa falta de comunhão. Deus conhece tanto Fim como Princípio e Ele não altera seus propósitos por causa de nossas orações. Isso seria impugnar a bondade de Deus e negar Sua eterna sabedoria.
Segundo Pink, Deus ordenou que orássemos para que: 1) O próprio Senhor fosse honrado; 2) Porque Ele requer que O adoremos; 3) Porque ela redunda na glória de Deus; 4) Porque ela foi designada por Deus para ser uma bênção espiritual para nós; 5) Para que por meio dela procuremos nEle aquilo que precisamos. Portanto, como diz Pink, longe de serem inúteis, as orações são instrumentos, entre outros, por meio dos quais Deus cumpre seus decretos.
Para A.W. Pink oração é mais do que um ato, é uma atitude, atitude de dependência de Deus. É reconhecer que somos fracos e incapazes, e é reconhecer nossas necessidades e expô-las diante de Deus. É o meio pelo qual podemos submeter nossa vontade à vontade de Deus.

Capítulo 9 - A SOBERANIA DE DEUS E A NOSSA ATITUDE
Segundo A. W. Pink, nossa atitude diante da Soberania de Deus dever ser um piedoso temor, uma obediência implícita, uma total resignação, uma profunda gratidão e alegria (e aqui, Pink nos lembra do caso de Jó, quando um desastre após outro caíram sobre ele e ele percebeu a mão de Deus em tudo e, ao invés de murmurar, lamentar a sua ‘má sorte', deu glória a Deus), e uma atitude de adoração e culto.

Capitulo 10 - O VALOR DESTA DOUTRINA
Soberania de Deus, segundo Pink, não é meramente uma doutrina metafísica sem prática. É uma doutrina que causa um poderoso efeito sobre o caráter e a vida cristã. Ela é fundamental na Teologia Cristã. Pink usa ilustrações para demonstrar o valor dessa doutrina: “ela é como o centro de gravidade no sistema da verdade cristã; é o sol ao redor do qual se agrupam os astros menores; é o fio no qual as demais doutrinas são enfileiradas tal como um colar de pérolas; é um tônico divino a refrigerar-nos o espírito. Ela é e faz tudo o que dissemos e mais ainda, porque atribui a Deus - Pai, Filho e Espírito Santo - a glória que Lhe é devida, colocando a criatura no correto lugar diante dEle - no pó”.
Concluindo, A.W. Pink diz sob muitos aspectos, que a doutrina da Soberania de Deus: aprofunda nossa admiração pelo caráter Divino; é o firme alicerce do toda a verdadeira religião, repudia a heresia da salvação pelas obras (aqui Pink faz a confissão de que em seu ministério, como pregador, observou que seus sermões sobre ‘soberania de Deus' têm tido mais sucesso na salvação de perdidos do que qualquer outro); leva a criatura a humilhar-se profundamente; confere um senso de absoluta segurança; oferece consolação na tristeza; produz um espírito de terna resignação; evoca um cântico de louvor; garante o triunfo final do bem contra o mal; e oferece um lugar de descanso para o coração.
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Author: Wilson Porte Jr.
•12:32 AM

Um casal pedia a Deus por um milagre. Casados há poucos anos eles queriam ter um filho. Ela, porém, era estéril. Apesar da impossibilidade física, esse casal não desanimou. Eles buscaram em oração Àquele para quem não há impossíveis! Dado algum tempo, pela bondade de Deus, aquela jovem esposa engravidou. Imaginem a festa! A alegria na família, na igreja, que testemunho do poder de Deus! A criança nasceu, linda, perfeita, tratada com todo o xodó pelos pais e amigos. Só que, dois anos depois, algo inesperado aconteceu. A criança ficou doente. Remédios caros, várias internações, vários médicos, incontáveis orações... mas, com pouco mais de dois anos de vida, a criança, tão aguardada por todos, veio a falecer.
Esse casal tinha tudo para entrar numa ‘tristeza sem fim’, numa depressão. Até o pastor que cuidaria de dar uma palavra no funeral não soube o que dizer. Se engasgou todo. Ficou sem jeito, segundo as palavras do próprio pastor. Foi então que, naquele funeral, quando ninguém esperava, o pai pediu para falar. Toda a atenção se voltou para ele:

“Eu gostaria, nestes últimos minutos na presença do corpo de nosso anjinho, dizer pra vocês o quanto somos, minha esposa e eu, gratos a Deus pela honra e privilégio que Ele nos deu de cuidarmos, por dois anos, de nosso filho. Ele foi uma bênção que Deus nos deu, um precioso presente. Não há palavras para agradecê-lO pelo bem que Ele nos fez. Todavia entendemos que, o mesmo bondoso Senhor que nos deu esse anjinho, foi quem o levou embora para junto de Si. ‘O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor’.”

Lágrimas encheram os olhos de todos os presentes. A graça do Senhor, pela vida e palavra de um servo Seu, encheu aquele lugar de morte com um aroma de vida, como se o próprio Criador da vida estivesse ali.
Sabemos, pelas Escrituras Sagradas, de um caso parecido com este no Antigo Testamento. Só que o pai, agora, é Jó. E Jó não perdeu apenas 1, mas 10! Sete filhos e três filhas. Jó também amava seus dez filhos e se preocupava dia e noite (e madrugada – Jó 1.5) com eles. Jó tinha uma bela família, uma boa saúde e muitas posses. Além de tudo isso, “era homem íntegro e justol” (Jó 1.1). Em Jó 1.8 Deus diz: “Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal”. E foi esse homem que, em menos de 24 horas, perdeu tudo. Os dez filhos morreram quando um vento derrubou a casa aonde estavam. De todos os bens, posses, animais e funcionários que possuia, Jó perdeu tudo! Até sua saúde que, até naquele dia, era boa, agora deixara de ser. Tumores abertos, cheios de pus, cobriam seu corpo com incetos zanzando por eles (Jó 2.7). Jó quebra uma louça e, com um de seus cacos, senta para raspar-se desejando um pouco de alívio de tanta dor. E nessa ocasião a Bíblia nos registra as palavras de Jó: “‘Se recebemos de Deus as coisas boas, por que não vamos aceitar também as desgraças?’ Assim, apesar de tudo, Jó não pecou, nem disse uma só palavra contra Deus.” Jó entendeu que Deus é Soberano. E nunca se esqueceu que o Soberano é bom. Jó conheceu a dor profunda, o vale da aflição, o desejo da morte, a perda de coisas preciosas demais para ele, alguém que passou por uma profunda depressão.
Mas onde vemos a graça de Deus na vida de Jó? Bem, casos como o de Jó podem acontecer com qualquer um de nós a qualquer momento. A depressão causada pela perda de pessoas ou de bens preciosos demais para nós é uma depressão tratada pelas Escrituras. Deus nos aponta o caminho para não morrermos na depressão mas, encontrarmos força em meio à tragédia. Qual o caminho? Crer em Sua soberania, crer que Ele está no controle de tudo! Crer em Sua bondade! Foi isso que deu àquele casal a graça e a força para passar pelo momento difícil da perda de seu filho. Foi isso que, em meio à tanta tristeza, sustentou Jó.
Faça, no início desse lindo dia, uma oração reconhecendo para Deus que você crê na Soberania dEle. Que você crê que Ele é o doador da vida, que ele é o dono de tudo o que você é e tem. Que você crê na bondade dEle. Reconheça que, nem sempre, você entende o por quê das coisas que acontecem com você, mas que você, ainda assim, crê na bondade e fidelidade do seu Deus e que, por fim, todas as coisas cooperarão para o bem daqueles que amam a Deus (Rm 8.28).Deus quer sustentar você! Se você depositar sua fé nEle, você não se sentirá sozinho. Deus lhe ajudará! Você encontrará um caminho de força e de graça para passar pela depressão.
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•4:38 PM

Karl Rahner foi o maior teólogo católico da era moderna. Encontrando seu equivalente histórico apenas em Tomás de Aquino, não só seu nome se destaca, mas também parte de sua teologia, sobretudo onde ele trata sobre o Cristão Anônimo. Nosso objetivo aqui não é fazer um estudo sobre a teologia de Karl Rahner. Basta dizermos que seria impossível tratar da teologia vastíssima de Rahner aqui.
Visando compreender melhor aquilo que mais trouxe mudança à teologia da Igreja Católica Apostólica Romana no século vinte, fizemos nosso recorte sobre a parte da antropologia de Rahner mais conhecida como a doutrina acerca do “Cristão anônimo”. Após conhecermos o contexto histórico no qual Rahner se encontra, e nos situarmos de modo singelo com o pensamento e posição da Igreja Católica Apostólica Romana quanto à salvação, sobretudo, fora da Igreja, passaremos ao estudo da doutrina dos Cristãos Anônimos.
Para compreendermos o que seria esse pressuposto analisado por Rahner, investigaremos as bases de seu pensamento, o eixo sobre o qual toda a teologia rahneriana gira: o existencial sobrenatural. Posto isto, passaremos ao estudo da fenomenologia transcendental, visando compreender a doutrina da graça e da salvação em Rahner. Com isso, poderemos compreender a doutrina acerca dos cristãos anônimos e tudo o que está por detrás dela, que tanto influenciaram e continuam a influenciar a Teologia Contemporânea, sobretudo a teologia católica no século vinte.


CONTEXTO HISTÓRICO

AVIDA DE KARL RAHNER

Embora ainda seja pouco conhecido no grande círculo da teologia evangélica, Karl Rahner é considerado por muitos como sendo o grande professor e sistematizador da teologia católica no século 20. Seus escritos influenciaram de maneira incrível a teologia da Igreja Católica Apostólica Romana no século vinte, como poucas pessoas a influenciaram séculos passados.
Rahner nasceu em Freiburg-im-Breigau (em português Friburgo em Brisgóvia), no estado federal de Baden-Württemberg, na Alemanha, em 5 de março de 1904. Sendo de uma família de classe média e catolicamente bastante devotada, Rahner, juntamente com seu irmão Hugo, tornou-se padre, membro da ordem dos Jesuítas.
Sendo designado pela ordem para ser professor de filosofia, Rahner foi enviado para várias escolas. Finalmente, Rahner foi enviado à Universidade de Freiburg, onde ele estudou com Martim Heidegger, famoso filósofo existencialista que muito o influenciaria.
Já como professor, Rahner começou sua vida de docência acadêmica em 1937 na Universidade de Innsbruck. Rahner passaria ainda pela Universidade de Munique, onde sucedeu Romano Guardini, e pela Universidade de Münster, onde lecionou teologia dogmática.
Karl Rahner foi, segundo David F. Ford[1], um erudito de primeira classe. Freqüentemente comparado historicamente a Tomás de Aquino, encontra, na percepção de Roger Olson, seu equivalente evangélico no século 20 em Karl Barth, pelo menos em termos de influência e de impacto[2].
Karl Rahner escreveu profusamente. São mais de 3.500 livros e artigos, todos publicados por Rahner enquanto vivia[3]. Além de sua teologia sistemática intitulada Foundations of Christian Faith, Rahner publicou sua Theological Investigations, uma série de multi-volumes cada qual encerrando uma coleção de ensaios topicamente organizados.

A POSIÇÃO DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA QUANTO À SALVAÇÃO.

Desde Cipriano, a teologia oficial da Igreja Católica Apostólica Romana é que não há salvação fora da única igreja visível organizada como Igreja Católica. Tal ponto foi reafirmado pelo Quarto Concílio de Latrão em 1215. Não há salvação em nenhuma outra igreja “rival”. Em 1302, o Papa Bonifácio VIII declarou-o de modo mais preciso através de sua bula intitulada Unam Sanctam, onde se lê: “nós manifestamos, declaramos e definimos que é completamente necessário à salvação para toda a criatura humana o estar sujeito ao pontífice romano [Papa]”.
Nos últimos dois séculos esta declaração continua sendo aceita pela Igreja Católica Apostólica Romana, porém, reinterpretada. Em 1854 o Papa Pio IX reafirmou a Unam Sanctam, todavia, com uma modificação vital. Pio IX apontou que, aqueles que são ‘invencivelmente ignorantes’ da verdadeira religião, ou seja, aqueles cuja ignorância não é a sua falta, estão isentos. Em 1949 houve um desenvolvimento adicional que culminou na excomunhão de um padre de Boston, Pe. Feeney. Feeney insistiu em ensinar a visão tradicional.
Segundo Lane[4], no caso do padre Feeney Roma respondeu que a declaração “fora da igreja não há salvação” permanecia verdadeira, mas que era para o magistério, a autoridade doutrinal, moral e intelectual, interpretá-la. Segundo Roma, essa interpretação não deveria ser feita por um indivíduo particular. Em 1953 a controvérsia se arrastou com muita força até que, finalmente, o padre Feeney fosse excomungado como um obstinado de excessivo rigor.
O Concílio Vaticano Segundo assim rejeitou a velha interpretação:
Com efeito, aqueles que, ignorando sem culpa o Evangelho de Cristo, e a Sua Igreja, procuram, contudo, a Deus com coração sincero, e se esforçam, sob o influxo da graça, por cumprir a Sua vontade, manifestada pelo ditame da consciência, também eles podem alcançar a salvação eterna. Nem a divina Providência nega os auxílios necessários à salvação àqueles que, sem culpa, não chegaram ainda ao conhecimento explícito de Deus e se esforçam, não sem o auxílio da graça, por levar uma vida reta. Tudo o que de bom e verdadeiro neles há, é considerado pela Igreja como preparação para receberem o Evangelho, dado por Aquele que ilumina todos os homens, para que possuam finalmente a vida[5].
O POVO DE DEUS 2:16
E o que fica dito [a salvação], vale não só dos cristãos, mas de todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente. Com efeito, já que por todos morreu Cristo e a vocação última de todos os homens é realmente uma só, a saber, a divina, devemos manter que o Espírito Santo a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal por um modo só de Deus conhecido[6].
A IGREJA E A VOCAÇÃO DO HOMEM 1:22

Todavia, embora o Concílio Vaticano II tenha dado uma nova interpretação à antiga Unam Sanctam, também teve o cuidado em declarar que, qualquer pessoa que saiba que a Igreja Católica Apostólica Romana foi posta por Deus através de Jesus Cristo como necessária, mas recusa-se a entrar nela ou nela permanecer, não pode ser salvo.
Daqui surge o conceito do Cristão Anônimo na teologia de Karl Rahner, o grande teólogo católico pós-Vaticano II, pra não dizer do toda a era moderna. Em sua busca por reinterpretar toda a antropologia, Rahner encontra espaço para a salvação daqueles que, de modo ignorante, mas sem culpa por sua ignorância, desconhece a realidade da Igreja Católica e de Cristo. Se tal pessoa for uma pessoa de bem, cuja vida segue os ditames da consciência, levando uma vida moralmente sadia, que tal pessoa será salva. Daí Rahner desenvolve sua teologia sobre dois pontos fundamentais: o ponto do Existencial Sobrenatural e o ponto da Fenomenologia Transcendental para ‘provar’ filosoficamente que seu ponto acerca do Cristão anônimo procede. È isso que passamos a analisar a partir de agora.

O CRISTÃO ANÔNIMO

AS BASES DO PENSAMENTO DE RAHNER

Segundo Battista Mondin[7], o pensamento filosófico de Karl Rahner é totalmente original. Embora tenha agido de modo diferente de Guardini e Teilhard de Chardin, desenvolvendo sua teologia a partir de princípios Aquinenses, Rahner se diferencia de Tomás de Aquino e de sua visão cosmocêntrica. Rahner possui uma forte visão antropocêntrica que é abundantemente aplicada à Revelação. Como nenhum outro antes dele, Rahner lança-se a explorar o mundo da filosofia e da teologia partindo de pressupostos totalmente antropocêntricos. O conceito do “Cristão Anônimo” surge nesse contexto de pensamento.

O EXISTENCIAL SOBRENATURAL – A GRAÇA.

Aqui encontramos o núcleo de toda a teologia rahneriana. Todo o edifício teológico de Karl Rahner é edificado sobre o mistério da graça que santifica e pode salvar. Graça essa que está no ser sobrenatural de todo homem e mulher. A essa graça Rahner dá o nome de Existencial Sobrenatural.
Rahner escolheu a graça como o princípio arquitetônico material para sua teologia. O mistério da graça. Para Rahner a graça constitui o componente essencial e fundamental do ser sobrenatural do homem[8]. Ela está ligada estruturalmente ao ser humano e, por natureza, é inerente e inseparável a todo e cada ser humano que já tenha vivido ou venha a viver.
E é justamente em torno desse Existencial Sobrenatural que gira toda a teologia de Karl Rahner, como diz Mondin (1979, p. 109), “da Trindade à encarnação, da Revelação à Igreja, dos sacramentos aos cristãos anônimos”.
Tentar aqui expor toda a doutrina da graça, do existencial sobrenatural, como percebido por Karl Rahner, se equivaleria a expor toda a teologia rahneriana. Como isso é impossível devido ao vastíssimo sistema teológico de Rahner e pelos limites dessa monografia, comento a seguir apenas alguns poucos pontos fundamentais sobre o existencial sobrenatural em Rahner.
Conforme comenta Battista Mondin[9], são três as teses mais originais de Rahner sobre a graça:

Tal graça consiste na auto-comunicação de Deus;

Rahner afirma que a graça não é a comunicação de uma realidade sobrenatural diversa de Deus. Para ele, a graça é a auto-comunicação do próprio Deus. A graça inerente a todo ser humano é uma auto-comunicação de Deus no homem.
Rahner assim a afirma:
A graça incriada é o início homogêneo, já conferido, ainda que agora esteja escondido e em processo de desenvolvimento, daquela comunicação do ser divino ao espírito criado, que se verifica em uma causalidade formal e é o pressuposto ontológico da visão[10].

Tal graça é dada a todos os seres humanos;

Nesse ponto Rahner trata da universalidade da graça (aliás, para Rahner, não somente a graça é universal, mas também a Revelação e a própria fé). Devido à interpretação dada por Rahner ao texto de 1 Timóteo 2.4 (o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade), se entende que a graça é comunicada a todos os homens. E isso se faz imprescindível pelo princípio dogmático da vontade salvífica universal de Deus.
Rahner analisa que, devido o espírito do homem estar aberto para o infinito, essa mesma estrutura metafísica do homem o habilita a receber e experimentar a autocomunicação de Deus.
Ainda que a pessoa seja ou considere-se um ateu, para Rahner ele não passa de um teísta anônimo. Visto que ajam elementos que o transcendam, elementos nele que o levem a refletir em sua transcendência natural para com o mistério, e uma vez que tal indivíduo se entregue sem duvidar na existência de um Deus (não necessariamente o bíblico que, pressupõe-se, tal pessoa ignora), tal pessoa pode ser salva.
Como conseqüência disso tudo, o que se observa é que a graça não seria, para Rahner, restringida apenas aos cristãos declarados, mas que a graça estende-se também à grande massa de cristãos anônimos.

Tal graça tem uma prioridade lógica absoluta entre os atos ad extra[11] de Deus;

Aqui Rahner trata da prioridade lógica absoluta da graça. Como já temos analisado, a graça possui um lugar de honra, ocupa a primazia no centro da teologia de Karl Rahner. Battista Mondin comenta esse fato dizendo que, “por essa razão, pode ser chamada ‘teologia karicêntrica’ (que tem por centro a graça, Karis). Nela, tudo se funda na decisão divina de alienar-se, comunicando-se em pessoa a um outro ser”[12].
Devido ao conceito da graça como um existencial sobrenatural inerente a todo o homem, Rahner sustenta a salvação universal. Primeiramente, Rahner crê que todo ser humano é receptivo, por natureza, à auto-revelação de Deus em Jesus Cristo. Rahner argumentava também que todos os seres humanos são dotados por Deus com a capacidade de receberem graça[13]. Uma vez que todos possuem o Existencial Sobrenatural (a graça) dentro de si, todos podem ser salvos. Segundo Olson, “quem seguir essa graça interior e sobre ela edificar encontrará a salvação total, independentemente de ter ouvido a mensagem expressa de Jesus Cristo”.
Ou seja, é possível que haja salvação, pela graça, e não através do arrependimento e fé no Jesus Cristo ressuscitado, como o Filho de Deus. O existencial sobrenatural concede à humanidade condições para que seja salva partindo de esforços pessoais em se viver de modo moral, de acordo com a lei da consciência. Ressaltando que tal graça de salvar pela ignorância se restringe àqueles que ignoram a Igreja Católica Apostólica Romana e a submissão à autoridade dessa instituição, o sumo pontífice romano.
Para Rahner, os “Cristãos anônimos” são aqueles que a seguem e vivem segundo a vontade de Deus, sejam eles batizados ou não, conheçam a Cristo ou não. Na teologia rahneriana a única maneira da pessoa não ser salva é abjurando obstinadamente a oferta da graça de salvação feita por Deus.

A FENOMENOLOGIA TRANSCENDENTAL.

A fenomenologia transcendental é parte abundantemente comentada na teologia de Karl Rahner. Devido a sua ligação ao Cristão anônimo tanto na receptividade ao conceito de Deus quanto na própria salvação dele, Rahner investe boa parte de seus escritos tentando, filosoficamente, analisar o fato de que em todas as etnias se constata o fenômeno da busca pelo transcendente.
A escolha desse nome veio devido ao esforço filosófico de Rahner em mostrar que o ser humano é por natureza espírito. A ‘Reflexão Transcendental’ foi um instrumento filosófico nas mãos de Rahner usado para dizer que os seres humanos estão abertos para receber a revelação. Segundo Rahner, todos os seres humanos estão voltados para a transcendentalidade. É algo inerente ao ser humano voltar-se para o mistério da criação e da imanência. Por causa disso, todos transcendem a si mesmos e a natureza todas as vezes que pensam e questionam os fatos. Segundo Stanley J. Grenz e Roger F. Olson[14], “demonstrar essa afirmação de modo filosófico foi a grande tarefa de Rahner, aquela que consumiu grande parte de sua energia teológica”.
Rahner preocupou-se em chamar a atenção à importância da ânsia do ser humano em transcender os limites da natureza humana, de ir além[15]. Os seres humanos estão cônscios de um sentido de terem sido feitos para mais do que agora são, ou seja, de que há mais além do mundo visível, um mundo, uma realidade que transcende. Embora essa percepção esteja inerente em todo ser humano graças ao existencial sobrenatural, a Revelação Cristã é a única, segundo Rahner, capaz de suprir explicações corretas quanto a esse mais.
Em seu livro lançado em 1978, Foundations of the Christian Faith, Rahner aponta uma lista com vários caminhos nos quais esta “transcendência” se mostra. Vejamos duas apontadas por Alister McGrath:
1. O ato de conhecermos um objeto leva-nos a entender que não estamos limitados ao objeto em si, pois o conhecimento dele nos leva ao questionamento do que está além dele.
2. A busca humana por significado nos presenteia com um paradoxo, no qual nós entendemos que somos radicalmente finitos por um lado, e por outro lado nós temos questões ilimitadas. Embora nós sejamos finitos e limitados, experimentamos a esperança por uma plenitude absoluta de conhecimento.
Por fim, Rahner preocupa-se em mostrar que, embora sejamos limitados e finitos, possuímos um forte senso de algo que é transcendente[16], de algo que vai além de tudo quanto conhecemos e constatamos.
É exatamente por isso que a teologia de Rahner é voltada em grande medida para a antropologia e trata dela como de fundamental importância.
A busca do homem por um significado final levanta a questão de Deus, e só é totalmente satisfeita quando aquele que é Deus se deixa encontrar.

A fenomenologia transcendental e a salvação do cristão anônimo.

O raciocínio de Rahner quanto à salvação do cristão anônimo se dá da seguinte maneira: todos os homens são implicitamente cristãos (anônimos), uma vez que todos apreendem tacitamente o Deus da Revelação através da apreensão do ser.
O cristão anônimo não é salvo por sua moralidade natural e intrínseca, mas porque ele experimentou a graça de Jesus Cristo mesmo sem saber que o fazia. Aqui Rahner faz uma diferenciação entre fé explícita e fé real não articulada.
Nesse sentido Rahner argumenta em Theological Investigations:
O ‘Cristão anônimo’, em nosso sentido do termo, é o pagão após o início da missão Cristã, que vive no estado da graça de Cristo através da fé, da esperança e do amor, ainda que não tenha tido nenhum conhecimento explícito do fato de que sua vida é orientada na graça dada para a salvação para Jesus Cristo... Deve haver uma teoria cristã para responder pelo fato de que todo indivíduo que não age em nenhum sentido absoluto ou último contra a sua própria consciência pode dizer e diz em fé, esperança e amor Abba dentro de seu próprio espírito e é, sobre estas bases, em toda verdade, na visão de Deus um irmão aos Cristãos.[17]

Assim como exposto por Rahner, suas idéias são muito influentes em nossos dias. De modo especial o conceito de que alguém pode ser um Cristão anônimo sem nenhum tipo de envolvimento ou compromisso religioso. Segundo Lane[18], o Cristão anônimo é alguém que ‘o aceita em uma decisão moral’, até mesmo se aquela decisão não foi feita em um sentido religioso e teísta. Assim Rahner diz:
A pessoa que aceita uma demanda moral de sua consciência como absolutamente válida para ele e a abraça de tal forma num livre ato de afirmação – não importa quão irrefletido – declara o absoluto ser de Deus, quer ele conheça ou o conceitua quer não, como a velha razão, por que pode haver tal coisa como uma demanda moral absoluta de qualquer modo[19].

A fenomenologia transcendental e a receptividade humana a Deus

Rahner, em sua teologia antropocêntrica vai tentar provar que, todos os seres humanos são receptivos a Deus e só encontram realização pessoal no relacionamento com Deus por meio de Jesus Cristo como Salvador.
Segundo Rahner, essa receptividade natural do homem a Deus é devido ao existente sobrenatural que há em todos os seres humanos, a graça. Assim se dá sua linha de raciocínio: Deus deseja que todos devam ser salvos (1Tm 2.4), e fé em Cristo é necessária para a Salvação. Por isso, todos podem crer. Uma vez que a graça de Deus está em todos os homens, até que o homem ou a mulher sejam efetivamente impactados pelo Evangelho.
Rahner dizia que a graça de Deus (o existencial sobrenatural) está operando até mesmo nos ateístas, os quais podem possuir fé, esperança e amor, embora continuem sendo ateus. Dizia Rahner, “até mesmo um ateu.... não está excluído de possuir a salvação, dado que ele não tem agido contra sua consciência moral como um resultado de seu ateísmo”.
Battista Mondin argumenta que, para a teologia rahneriana, quem não conhece a Revelação histórica e não dá assentimento à Igreja Católica Apostólica Romana, e aos seus sacramentos, mas que se aceita a si mesmo e que procura agir e viver de acordo com a sua própria consciência e com todas as determinações que Deus lhe deu, mesmo sem saber, tal pessoa possui a fé cristã. Segundo Rahner, a própria fé salvadora.
Toda essa atração quanto ao sobrenatural se dá devido àquilo que é chamado por Karl Rahner de Fenomenologia Transcendental. Ou seja, é possível ser salvo sem jamais saber quem foi Jesus Cristo. Como já analisei, fé, para Rahner, é tanto universal, quanto são universais a graça e a Revelação.

CONCLUSÃO

Concluindo, desejo enfatizar dois pontos assim como são enunciados no título dessa monografia.
O primeiro é sobre a obra e influência do teólogo alemão, padre jesuíta, Karl Rahner sobre a teologia católica no século vinte. Embora Rahner tenha sabido como acolher em seu sistema filosófico todos os conceitos chaves da filosofia alemã (o conceito transcendental de Immanuel Kant, o conceito de alienação de Georg Wilhelm Friedrich Hegel, o conceito existencial de Martin Heidegger e a orientação antropocêntrica do pensamento moderno)[20], ele não deixou de se inspirar em alguns princípios de Tomás de Aquino.
Ninguém é capaz de discutir sobre o profundo e duradouro impacto de sua teologia sobre a teologia contemporânea e sobre, especialmente, a própria teologia da Igreja Católica Apostólica Romana. Grenz e Olson afirmam que “é possível que Rahner tenha oferecido o maior impulso e direcionamento desde Tomás de Aquino, durante o século 13, para uma renovação fiel da teologia católica”[21].
O segundo ponto que desejo enfatizar é sobre o impacto da doutrina da graça em Rahner, sobretudo em sua aplicação aos Cristãos Anônimos. A idéia do Cristão Anônimo e de que, fora da Igreja Católica Apostólica Romana pode haver salvação, foi uma reinterpretação radical da antiga bula do Papa Bonifácio VIII, a Unam Sanctam, onde se declara que “é completamente necessário à salvação para toda a criatura humana o estar sujeito ao pontífice romano [Papa]”.
Por trás de toda a teologia que abraça a idéia do Cristão Anônimo, o existencial sobrenatural, e a fenomenologia transcendental, percebe-se que a motivação que percorre por todos os seus escritos é o mistério. Segundo Justo Gonzalez, o mistério torna o teólogo cheio de reverência ante o estudo da teologia. Mas este mistério, “longe de ser uma desculpa para a indolência intelectual ou para um obscurantismo fideísta, é um chamado para o estímulo e para a reflexão”[22]. E Rahner foi alguém que saio serena, contudo, obstinadamente atrás desse mistério. Em uma de suas afirmações em Foundatinos of the Christian Faith, Rahner define sua busca:
A antiga teologia da fé sempre soube que trazer o simples ou o não-educado à fé, través de uma adequada reflexão sobre todos os fundamentos da credibilidade intelectual não é possível e não é necessário. Então eu gostaria de formular que, na situação de hoje, todos nós, com todo o nosso estudo teológico, sejamos e permaneçamos inevitavelmente simples em um certo sentido, e que nós o admitamos francamente e corajosamente para nós mesmos e também para o mundo[23].

Sem dúvida, há beleza em todo o relato de Rahner. Contudo, muitos entendem que ele não tenha conseguido resolver o dilema da transcendência e da imanência. Muitos o vêem como se estivessem olhando para um panenteísta devido a toda sua especulação metafísica, na qual Rahner deixou pairar ao fundo a impressão de uma certa interdependência panenteísta entre o próprio Criador e toda a sua criação.
Conforme nos sugere Tony Lane, talvez a grande fraqueza da teologia de Rahner tenha sido transformação de uma possibilidade excepcional (a de que alguém que não tenha ouvido o evangelho possa estar em um estado de graça) em uma norma – de modo que a Igreja devesse tratar a todos os seres humanos como Cristãos anônimos, embora todos os caminhos dentro das Escrituras Sagradas tendem a tratá-los não como cristãos, mas como pessoas que estão perdidas.
Karl Rahner morreu em Innsbruck, Áustria, em 30 de março de 1984 com 80 anos de idade. Ele foi, sem sombra de dúvida, o grande teólogo católico romano de sua geração. Nenhum outro teólogo influenciou mais a teologia católica romana do século 20, e talvez de toda a era moderna, do que ele.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FORD, David F. The modern theologians: an introduction to Christian theology in the twentieth century. Oxford: Blackwell Publisher, 1997
GRENZ, Stanley J., OLSON, Roger E. Teologia do século 20. Trad. Suzana Klassen. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.
GONZALEZ, Justo L. Uma história do pensamento cristão. Trad. Vanuza Helena Freire de Mattos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
LANE, Tony. Exploring Christian thought. Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1984.
MACGRATH, Alister E. Historical theology: na introduction to the history of Christian thought. Oxford: Blackwell Publishers, 1998.
MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. Trad. José Fernandes. São Paulo: Edições Paulinas, 1979.
OLSON, Roger E. História da teologia cristã: 2000 anos de tradição e reformas. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Editora Vida, 2001.
RAHNER, Karl. Theological investigations. New York: Herder and Herder, 1971.
RAHNER, Karl. Foundations of Christian faith: an introduction to the idea of Christianity. New York: The Seabury Press, 1978
RAHNER, Karl. Teologia e antropologia. São Paulo: Edições Paulinas, 1969.
[1] FORD, David F. The modern theologians: an introduction to Christian theology in the twentieth century. Cambridge: Blackwell Publishers, 1997. p. 118-119.
[2] OLSON, Roger E. História da teologia cristã: 2.000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Editora Vida, 2001. p. 614.
[3] Ibid.
[4] LANE, Tony. Exploring Christian thought. Nashville: Thomas Nelson Publishers, 1984. p. 238.
[5] Documentos do Concílio Vaticano II. Disponível em: . Acesso em: 17 jul. 2008.
[6] Documentos do Concílio Vaticano II. Disponível em: <>. Acesso em: 17 jul. 2008.
[7] MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte. São Paulo: Edições Paulinas, 1979. p. 95.
[8] Ibid. p. 109.
[9] Ibid.
[10] RAHNER, Karl. Saggi di antropologia soprannaturale, p. 127. In: MONDIN. Ibid. p. 110.
[11] Expressão latina que se traduz por: por fora, exteriormente.
[12] MONDIN. Op.Cit. p. 112.
[13] OLSON. Op.Cit. p. 614.
[14] GRENZ, Stanley J.; OLSON, Roger E. Teologia do século 20. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p. 290.
[15] MCGRATH, Alister E. Historical theology: an introduction to the history of Christian thought. Oxford: Blackwell Publishers, 1998. p. 336
[16] Ibid.
[17] RAHNER, Karl. Theological Investigations. In: LANE. Op.Cit. p. 239.
[18] Ibid.
[19] RAHNER, Karl. Theological Investigations. In: LANE. Ibid.
[20] MONDIN. Op.Cit. p. 119.
[21] GRENZ e OLSON. Op.Cit. p. 304.
[22] GONZALEZ, Justo L. Uma história do pensamento cristão. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 471.
[23] RAHNER, Karl. Foundations of the Christian faith: an introduction to the idea of Christianity. p. 9. In: GONZALES. Ibid.
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•4:11 PM


Definindo religião


Dentro do que se define como religião pode-se encontrar muitas crenças e filosofias diferentes. As diversas religiões do mundo são de fato muito diferentes entre si. Porém ainda assim é possível estabelecer uma característica em comum entre todas elas. É fato que toda religião possui um sistema de crenças no sobrenatural, geralmente envolvendo divindades ou deuses. As religiões costumam também possuir relatos sobre a origem do Universo, da Terra e do Homem, e o que acontece após a morte. A maior parte crê na vida após a morte.
Ateísmo é a negação da existência de qualquer tipo de deus e da veracidade de qualquer religião teísta. Agnosticismo é a dúvida sobre a existência de deus e sobre a veracidade de qualquer religião teísta, por falta de provas favoráveis ou contrárias. Deísmo é a crença num deus que só pode ser conhecido através da razão, e não da fé e revelação.
Algumas religiões não consideram deidades, e podem ser consideradas como ateístas (apesar do ateísmo não ser uma religião, ele pode ser uma característica de uma religião). É o caso do budismo, do confucionismo e do taoísmo. Recentemente surgiram movimentos especificamente voltados para uma prática religiosa (ou similar) da parte de deístas, agnósticos e ateus - como exemplo podem ser citados o Humanismo Laico e o Unitário-Universalismo. Outros criarão sistemas filosóficos alternativos como August Comte fundador da Religião da Humanidade.
As religiões que afirmam a existência de deuses podem ser classificadas em dois tipos: monoteísta ou politeísta. As religiões monoteístas (monoteísmo) admitem somente a existência de um único deus, um ser supremo. As religiões politeístas (politeísmo) admitem a existência de mais de um deus.
Atualmente, as religiões monoteístas são dominantes no mundo: judaísmo, cristianismo e Islã juntos agregam mais da metade dos seres humanos e quase a totalidade do mundo ocidental. A Fé Bahá'í é uma religião monoteísta[1].

O Contexto das religiões no final do Séc. XX

Desde os finais do século XIX, e em particular desde a segunda metade do século XX, o papel da religião, bem como seu número de aderentes, se tem alterado profundamente.
Alguns países cuja tradição religiosa esteve historicamente ligada ao cristianismo, em concreto os países da Europa, experimentaram um significativo declínio da religião. Este declínio manifestou-se na diminuição do número de pessoas que frequenta serviços religiosos ou do número de pessoas que desejam abraçar uma vida monástica ou ligada ao sacerdócio.
Em contraste, nos Estados Unidos, na América Latina e na África subsariana, o cristianismo cresce significativamente; para alguns estudiosos estes locais serão num futuro próximo os novos centros desta religião. O islão é actualmente a religião que mais cresce em número de adeptos, que não se circunscrevem ao mundo árabe, mas também ao sudeste asiático, e a comunidades na Europa e no continente americano. O hinduísmo, o budismo e o xintoísmo tem a sua grande área de influência no Extremo Oriente, embora as duas primeiras tradições influenciem cada vez mais a espiritualidade dos habitantes do mundo ocidental. A Índia, onde cerca de 80% da população é hindu, é um dos países mais religiosos do mundo, ficando em segundo lugar após os Estados Unidos. As explicações para o crescimento das religiões nestas regiões incluem a desilusão com as grandes ideologias do século XIX e XX, como o nacionalismo e o socialismo. No Brasil, uma religião que vem crescendo de forma avassaladora é o protestantismo. De acordo com algumas pesquisas, os evangélicos já somam algo em torno de 25% da população nacional, com perspectiva de chegar aos 50% em menos de 15 anos.
Por outro lado, o mundo ocidental é marcado por práticas religiosas sincréticas, ligadas a uma "religião individual" de cada um faz para si e ao surgimento dos chamados "novos movimentos religiosos". Embora nem todos esses movimentos sejam assim tão recentes, o termo é usado para se referir a movimentos neocristãos (Movimento de Jesus), judaico-cristãos (Judeus por Jesus), movimentos de inspiração oriental (Movimento Hare Krishna) e a grupos que apelam ao desenvolvimento do potencial humano através por exemplo de técnicas de meditação (Meditação Transcendental).
Também presente na Europa e nos Estados Unidos da América é aquilo que os investigadores designam como uma "nebulosa místico-esotérica", que apela a práticas como o xamanismo, o tarot, a astrologia, os mistérios e cuja actividades giram em torno da organização de conferências, estágios, revistas e livros. Algumas das características desta nebulosa místico-esotérica são as centralidades do indivíduo que deve percorrer um caminho pessoal de aperfeiçoamento através da utilização de práticas como o ioga, a meditação, a idéia de que todas as religiões podem convergir , o desejo de paz mundial e do surgimento de uma nova era marcada por um nível superior de consciência[2].

O Desconstrucionismo
Peter Jones considera o Desconstrucionismo o mais importante evento de nossa era. Este evento jamais será televisionado visto ser uma idéia, a “desconstrução” [3]. Jones vê da seguinte forma o início do desconstrucionismo:

A desconstrução foi originalmente o produto da hermenêutica, que é a teoria de interpretação, associada com Jacques Derrida, um filosofo Francês e teorista literário. A desconstrução literária põe em dúvida qualquer teoria literária que possa verdadeiramente descrever a comunicação escrita.

Jones acrescenta que o desconstrucionismo questiona qualquer explanação de qualquer coisa. Nenhuma descrição geral do porque as coisas são do modo como são (chamado de “meta-narrativas”) são aceitáveis, pois são “discursos resumidos” que impõe idéias de alguém ou de algum grupo sobre o restante de nós. A desconstrução “é uma visão de mundo que nega todas as visões de mundo”.
Stanley Fish da universidade Duke, o principal desconstrucionista na América, diz: “Desde que todos os princípios são preferências, eles são nada mais do que mascaras com o desejo de pode… alguém sempre será restringido, e é seu trabalho ter certeza que este alguém não é você”[4].
Em Ameaça Pagã Peter Jones cita David Wells medindo o efeito devastador deste movimento intelectual:

Na literatura, toda uma geração de desconstrucionistas. . . . vivem agora de negar que as palavras tenham algum significado sequer. As palavras significam somente o que desejamos que elas signifiquem.

O desenvolvimento perturbador no desconstrucionismo é a identificação da verdade como poder. Se não há uma verdade absoluta (que a maioria das pessoas no ocidente agora aceitam como “verdade”), então todas as afirmativas verdadeiras são meros jogos de poder.
Diante da pós-modernidade, Franklin Ferreira diz que os cristãos podem se alegrar, visto que a era “moderna” já passou e com ela se foram as batalhas entre “modernistas” e “fundamentalistas” e todas as idéias modernistas estão sendo abandonadas. Daí, o mesmo Franklin apresenta a nova ideologia que vem para substituir o modernismo, o pós-modernismo. Em seu artigo Confessando a fé evangélica na pós-modernidade[5] Franklin explica que o novo conjunto de suposições básicas sobre a realidade está ganhando terreno através de toda a cultura. “A pessoa comum que acredita não haver absolutos pode nunca ter ouvido falar do exercício acadêmico da ‘desconstrução’” (Franklin). O pós-modernismo rejeita tanto o cristianismo quanto o modernismo. Tanto os cristãos quanto os modernistas acreditam na verdade. Os pós-modernistas não[6].
O maior perigo do desconstrucionismo na pós-modernidade vigorosa do final do século XX e início do presente século é a idéia de que todas as religiões têm a contribuir quanto às realidades supremas. O maior partidário dessa corrente, como apresentado pelo Dr. A. S. de Matos, é John Hick[7]. John Hick nasceu em Scarborough, Yorkshire (Inglaterra) em 1922. Trevor A. Hart, em seu The Dictionary of Historical Theology[8] comenta que, para ele, Hick não foi apenas o pensador religioso mais radical, mas é difícil subestimar o significado de seu pensamento a respeito das questões levantadas pela ploralidade religiosa. Hick, em seus escritos, força o cristianismo a refletir sobre suas atitudes para com as cosmovisões não cristãs.
Assim sendo, o desconstrucionismo diz que as intenções do autor de um texto são irrelevantes e todas as interpretações são igualmente válidas. Enquanto os pensadores antigos pensavam que tínhamos que evangelizar as outras religiões do mundo, tais como Islamismo, Hinduísmo, Budismo, dentre outras, os pós-modernos pensadores dizem que há muito nessas religiões que pode nos acrescentar. Daí o advento de tantos eventos inter-religiosos[9] como o realizado de 10 a 12 de Outubro de 2003, uma conferência pan-religiosa ocorrida em Fátima com o nome "O Presente do homem — o Futuro de Deus: o lugar dos santuários em relação ao sagrado”. O objetivo desse congresso era mostrar o valor de todos os santuários para com o sagrado. Em um do dias daquela conferência, numa das sessões presididas pelo Arcebispo Michael J. Fitzgerald, Prefeito do Conselho Pontifício do Vaticano pelo Diálogo inter-religioso, representantes de diversas religiões — incluindo budistas, hindus, islâmicos, ortodoxos, anglicanos e católicos — deram seu testemunho da importância dos “santuários” em suas tradições religiosas. O tema dos “Santuários”, escolhido para este congresso, reflete o ‘mínimo denominador comum’ ecumênico, que prevalece há quarenta anos. É uma abordagem que minimiza as diferenças doutrinais entre as várias religiões e enfatiza “aquilo que temos em comum”. O Padre Arul Irudayam, reitor do Santuário Mariano da Basílica de Vailankanni, na Índia, discorreu inicialmente e belamente sobre a história deste santuário, onde ocorreu uma aparição de Nossa Senhora. O Santuário recebe milhões de peregrinos por ano, incluindo muitos hindus. Padre Irudayam então se regozijou que, como mais um avanço da prática inter-religiosa, os hindus executem hoje suas cerimônias religiosas na igreja.
Hoje, a maior parte das conversas e aproximações inter-religiosas têm acontecido através Chiara Lubich. Ela, desde 1994, é uma das presidentes honorárias da Conferência Mundial das Religiões pela Paz (WCRP). O seu diálogo tem se desenvolvido com xintoístas, taoístas, sikhs, zoroastrianos, bahais, fiéis de religiões tradicionais. Nas palavras dela, existe uma técnica: o 'fazer-se um'. Não se trata apenas de uma atitude de benevolência, mas sim de abertura e de estima. É uma prática que exige o vazio completo de nós mesmos, para nos identificarmos com os outros. "Entrar na pele do outro", penetrar no significado que tem para o outro em ser hindu, mulçumano, judeu, budista. Vejamos algumas das aproximações da Conferência Mundial das Religiões pela Paz (via Lubich) com outras religiões:

š Com os judeus
Segundo ela, as "raízes comuns" estão sendo descobertas.

š Com os muçulmanos
"O amor ao próximo", na tradição cristã e muçulmana, foi o tema central de um congresso realizado em Castelgandolfo em novembro de 2002, participaram mais de 200 muçulmanos, provenientes de 20 países. A experiência vivida juntos, impulsionou muitos a dizer: "Aqui não somos apenas amigos, mas irmãos e irmãs!".

š Com os budistas
Os primeiros contatos aconteceram em 1979, quando Chiara Lubich encontrou-se com Nikkyo Niwano, presidente e fundador de um vasto movimento leigo de renovação budista - Rissho Kosei-kai com 6,5 milhões de aderentes - e um dos fundadores da Conferência Mundial das Religiões pela Paz (WCPR).
Em 1981, Chiara foi convidada por ele para falar em Tóquio sobre a sua experiência cristã para 12 mil budistas. Inicia uma colaboração que se desenvolverá no campo humanitário e pela paz, e uma abertura aos valores mútuos.

š Com os hindus
Em Coimbatore, no Tamil Nadu, foi conferido a Chiara o prêmio Defensor da paz por duas instituições gandhianas, o Shanti Ashram e o Sarvodaya Movement (5 de janeiro).Durante a cerimônia, da qual participaram mais de 500 pessoas hindus e de outras religiões, Chiara falou da sua experiência espiritual, colocando em luz elementos comuns entre o Evangelho e as Escrituras hindus.
Tudo isso, fruto do pós-modernismo no pensamento do Cristianismo e as Outras Religiões. Concluo com o pensamento de Locke:

O desconstrucionismo é o ópio da classe intelectual obsoleta; é um pouco mais do que sofismas absolutos e relativismo moral. O desconstrucionismo insiste que até as palavras carecem de significado. Assim sendo, para o desconstrucionismo, a conversa entre dois homens pode ser tão boa quanto os latidos de dois cães.
[1] FILORAMO, Giovanni; PRANDI, Carlo - As Ciências das Religiões. São Paulo: Paulus, 1999
[2] DELUMEAU, Jean (dir.) - As Grandes Religiões do Mundo. Lisboa: Editorial Presença, 1997.
[3] JONES, Peter. A ameaça pagã. São Paulo: Cultura Cristã, 1998. p. 143
[4] JONES, Peter. Ameaça Pagã......
[5] FERREIRA, Franklin. Confessando a fé evangélica na pós-modernidade. Postado no site da Comunhão Reformada Batista do Brasil: http://www.crbb.org.br/franklin1.pdf . Acessado em 16 de abril de 2008.
[6] VEITH, Gene E. Tempos pós-modernos: uma avaliação do pensamento e da cultura de nossa época. São Paulo: Cultura Cristã, 1999.
[7] MATOS, Alderi Souza de. Fundamentos da teologia histórica. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 254.
[8] HART, Trevor A. The dictionary of historical theology. Grand Rapids: Paternoster Press, 2000. p. 248.
[9] Em síntese, eventos inter-religiosos acontecem com o seguinte pressuposto: O diálogo inter-religioso emerge hoje como um dos grandes desafios para o século XXI. As diversas tradições religiosas vêm provocadas a perceber a importância vital de um relacionamento criativo e mútuo entre si mesmas, como condição essencial para um futuro mais harmônico para a humanidade. Não há mais possibilidade de manutenção de posicionamentos teóricos e práticas que sustentem a perspectiva de hegemonia de uma tradição religiosa sobre as demais. Neste tempo de pluralismo religioso há que se acentuar a singularidade e o valor da diversidade, como dado irrenunciável e irrevogável. (Faustino Teixeira: Professor Associado do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora no site da Rede Ecumênica Latina Americana discursando sobre o Debate Inter-religioso - http://www.missiologia.org.br/cursoweb/53dialogointer.htm)
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Author: Wilson Porte Jr.
•11:25 AM


Leia Rute 1.7-10

Noemi e sua nora passaram por situações desgastantes.

  • Que efeito parece ter tido sobre seu relacionamento as circunstancias que enfrentaram juntas?

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  • Verifique como Provérbios 17.17 expressa esta verdade.

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Ore que Deus o ajude a ter um coração compassivo para “caminhar ao lado” de um colega ou amigo que esteja passando por dificuldades. Pode ser início de uma amizade profunda.
Ore também que Deus lhe dê um coração aberto a aceitar o encorajamento sincero que outros lhe ofereçam.
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Author: Wilson Porte Jr.
•9:56 AM

“...Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão.…” Provérbios 17:17

Leia Rute 1.1-6


Estes versículos iniciais apresentam-nos três mulheres e alguns fatos a seu respeito.

  • Que semelhanças e contrastes você percebe entre as três?

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  • Várias vezes Deus une pessoas bem diferentes em relacionamentos profundos e significativos. Você já experimentou isso em sua vida?_

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Ore a Deus agradecendo-O por nos criar tão diferentes uns dos outros e pela graça que nos une nEle. Disponha-se a permitir que a diversidade de características pessoais, providência e formação, entre ouras, não sejam barreiras para dar início a novas amizades.

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